domingo, 29 de outubro de 2017

Música, Poesia e Palavras

Vou procurar por ti. A cada recanto. Em qualquer ruela, passeio ou sombra. Vou procurar as tuas palavras, a tua paz e o teu olhar vago e ao mesmo tempo atento. Talvez nunca mais te veja... e isso deixa-me incansavelmente agitada. Triste até. Nunca é demasiado definitivo. Vou esperar que o meu olhar alcance o teu e te desconforte. Vou procurar que a tua paz seja a minha, que a tua poesia me acalme a ansiedade mais angustiante, que a tua música seja um ombro onde me possa acomodar. As tuas palavras sempre certas fazem-me falta. Dou por mim a tentar lembrar, como um mantra que sigo, para não me esquecer que posso ser louca. Sim, não me posso esquecer que posso ser louca, ser genuína, confusa e gostar de mim. Por isso, vou-te procurar. Ou esperar, que deixando de te procurar, tu me encontres em qualquer ruela, passeio ou sombra.
Porquê que alguém que me poderia transmitir paz, me deixa inquieta quando a nossa distância é tão grande quanto a tua capacidade de dizer as palavras certas? Fará sentido procurar o que já não sei se existe? Não sei. Sei que te vou procurar. E, se na loucura não te encontrar, que encontre a minha paz e que nunca me esqueça das "palavras sempre certas". Se encontrar e não me transmitires paz, que seja uma procura que me leve ao encontro de mim. Até à resposta, ao encontro ou desencontro, vou seguir a minha saudável loucura e lembrar-te que o Porto também és tu!
Que um dia, eu tenha a resposta para tudo isto. Entre encontros e desencontros, tenhas sempre música, poesia e palavras - afinal, não é tudo a mesma coisa?

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Minha Invicta

Hoje, dia 10 de Fevereiro de 2017 recebes o prémio de melhor destino europeu.
E, hoje, especialmente hoje, tive saudades tuas. Sinto vontade de te escrever como se de um pessoa te tratasses. Não o és, mas não acredito que sejas uma simples cidade.É demasiado redutor.
Quando no longínquo ano de 2009, saíram os resultados para a entrada na faculdade, calhou-me a sorte (não reconhecida) a minha primeira opção, e essa tinha sido numa faculdade do Porto. Escolhi-te, sem noção das consequências, escolhi-te por amor àquela que seria a minha profissão, escolhi-te por amor à minha cidade, escolhi-te por amor à minha família (eras a cidade mais perto da minha com o curso que eu queria). Só podia ser um bom presságio, escolher-te com base no amor! Escolhi-te, mas não te aceitei. Descrevia-te como cinzenta e escura, para mim eras um mistério. O que eu adoro mistérios e desvenda-los, só que não sabia. Porque no Porto, entre a tua escuridão, redescobri a minha cor entre cinzentos e vermelhos, descobri-me.

Vou-te contar os primeiros tempos em que me acolheste. Na procura de casa para ficar, recusei-me a viver em ti e a descobrir-te. Decidi que faria viagens diariamente de comboio, da minha terra natal para a faculdade. Abominei-te e que injusta estava a ser. Nem te dei a oportunidade de te mostrares... mas eu sou assim, impulsiva e por vezes injusta porque sigo demasiado as minhas convicções e aquilo que me é seguro. Sou estupidamente resistente a mudanças. Isto também descobri quando vivia em ti, contigo. Sim, vivi contigo e fui tão feliz. Depois de 2 anos nesse vai e vem, descobri que deveria dar-te a oportunidade, deveria dar a a oportunidade a mim de viver aquilo que me estava a impedir. E aí começou a nossa história feliz...

Em ti vivi as melhores tardes, tive as melhores conversas. Na Ribeira fui eu, sem convicções, ri e chorei genuinamente. Os clérigos serão sempre memoráveis e terei sempre a tendência de querer desce-los a correr. No Douro... as conversas, as memórias e ouvi as palavras mais bonitas duma das pessoas mais bonitas da minha vida " lembro-me de muitos momentos felizes aqui no Porto e tu estás em todos". Perdi-me no Porto. Amei e sofri no Porto. Vivi uma história de amor. Vivi outra de paixão, ou sabe-se lá quase amor, de certeza aventura. Tive medo no Porto. Tive medo de andar sozinha de noite nas ruas do Porto. Andei por ruelas a primeira vez e apaixonava-me por cada fachada. Cantei o Porto Sentido a subir a Rua do  Mouzinho, em coro com as minhas pessoas. Cantei tantas outras coisas sem sentido nenhum por imensas ruas. Fiquei de coração dividido, ansiava o regresso ora à minha cidade natal, ora à cidade do coração - tu! Diverti-me tanto em ti, mais do que noutra cidade qualquer. Senti-me livre. Fui, pela primeira e única vez chamada a atenção pelos vizinhos devido ao barulho na madrugada. O Covelo será sempre sinónimo de tardes adocicadas com gelados e conversas e faltas às aulas. Cada queima das fitas, cada serenata foram mais que tradição, significam pessoas, lágrimas e sorrisos, abraços verdadeiros. O traje que vesti, as capas que tracei, a capa que me traçaram, a capa que batizamos (eu e as minhas pessoas)... sempre como pano de fundo o Porto. Sempre! As fotos no Natal nos Aliados, tornaram-se tradição. O Piolho, a Cordoaria, a Fonte dos Leões e a das Laranjeiras... não sei descrever. Conhecer pessoas que trouxe comigo para a vida, partilhar casa e abdicar do meu espaço, e ser feliz a partilha-lo. Os passeios pela rua Santa Catarina,  o adorar o frenesim das pessoas a andar de um lado para o outro, o cheiro a castanhas assadas e a música dos pedintes. Sem dúvida que em ti fui sempre eu, e tornei-me menos resistente a mudanças, mas sempre complicada. Vivi-te mais tarde do que merecíamos, mas vivi-te o melhor que consegui. Sim, existiram momentos maus, passei em ti a pior fase da minha vida, mas ofereceste-me o melhor de ti e o melhor de mim.

Representas descoberta, amor, vida, escuridão (quem disse que isto era mau?), nostalgia, mudança, saudade, aventura e pessoas. Não quis vir embora e hoje tento todos os dias voltar a ti. Voltar não é o termo certo, porque nunca te deixei!
Espero que seja um até já

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Eu sei lá

Queria tirar o meu passado de mim. Colocar-me em algum lugar que não este. E sim, sei a sorte que tenho em estar aqui e ter família e blá blá blá. Dizia eu que queria tirar, arrancar o meu passado de mim. Da memória e apagar sentimentos. Não acredito no destino, acredito que desenhamos, bordamos, delineamos, tecemos (o raio da arte que tiverem mais jeito) o nosso caminho. Mas, eu sou desastrada, desorientada, descoordenada e distraída (bastante!!) que nunca tive jeitinho nenhum para estas coisas minuciosas. Uma trapalhona, portanto! Não estou a exagerar... um dia um professor de educação visual perguntou-me se eu via mal, se sabia de algum problema nos olhinhos da minha pessoa porque eu não acertava uma medida NUNCA, uma esquadria falhava quase sempre, para não falar do meu dom e jeito para trabalhos manuais e essas coisas. Dos meus irmão mais velhos sempre recebi elogios como - "não tens jeitinho para nada" ou " és mesmo descoordenada, tens umas mãos que parecem uns pés", uns queridofofocoisos! Ora bem, isto deve-se repercutir no que se trata de dar forma a este meu caminho. É, que de repente sem dar por isso, os bicos dos lápis partiram-se, as linhas desfiaram e as agulhas perdi-as, é que não há muito para delinear e nem consigo encontrar o rumo disto. Disto. Disto que é a vida! Não quero saber do "às vezes é bom parar para pensar no caminho", "tudo tem uma razão". Mas ora foda-se... que razão? Eu não quero aprender muito mais sobre a vida do que já sei. Não agora. Estava bom como era! E, eu não quero parar. Queria seguir, em passos descoordenados e a tropeçar, mas parada não!
Sinto o caminho como a mim mesma, escura, negra e vazia. Não vejo um palmo à frente, uma luzinha de presença se quer! E, no caminho, ainda digo parvoíces a pessoas erradas (???) que para além de pensarem que sou tudo o que já disse, acrescentam à panóplia de qualidades - louca!! tudo a correr bem (para ti pessoa, a mágoa e o cansaço levam-te a dizer o que não pensas, por isso não, não teria feito nada diferente em relação a ti. grata).
Sinto, sem querer, que estou à deriva, num mar de mágoas parado, calmo, mórbido (tão profunda que estou, uma poeta), mas no fundo agitado. Estou frouxamente agitada, se isso existir eu sou o sinónimo vivo e a cores. É isso, frouxamente agitada. A escrever encontrei a minha definição... Sinto-me perdida e parada, mas em ânsias de andar de chegar a onde e a quem quero. Negra por dentro, como se quisesse não sentir e arrancar tudo, mas um vermelho fogo nos sonhos. Não sei, dizem que é do signo... a intensidade e os extremos. Já agora se conseguisse arrancar o passado, poderia também escolher outra data para nascer, talvez isso me levasse para outro lugar! Poderia na loucura não ser frouxamente agitada e ser vigorasamente estável.

domingo, 1 de janeiro de 2017

2016

Fui feliz. Desempenhei vários papeis na minha vida que me feliz, quer a nível pessoal quer profissional - tia e auxiliar de investigação. Senti-me imensas vezes frustrada. Fui enganada. Trabalhei por 5 dias num sitio. Fui a entrevistas de emprego. Consegui um estágio profissional. Desiludi-me e fui enganada quanto ao papel que ia desempenhar. Tive medo. Muito medo. Confiei nos meu valores e consciência e desisti. Fui à luta. Enviei centenas de currículos, Trabalhei imenso. Fiz as melhores férias da minha vida, com as melhores pessoas da minha vida. reaproximei-me de pessoas que sempre foram extremamente importantes. tive duas festas de aniversário. tive a primeira festa surpresa da minha vida. Fiz novos amigos e desisti de outros que desistiram de mim. Fiz a minha primeira queixa na policia judiciária. Zanguei-me imensas vezes, Fiz as pazes. Dei mimo, tanto. Tive coragem. Fiquei tantas e tantas vezes emocionada. Acabei uma relação de 11 anos. Fiquei com dúvidas das minhas certezas. Visitei Lisboa turistando, com a minha melhor amiga. Passei mais tempo com a minha melhor amiga. Comecei a frequentar o ginásio. Deixei de frequentar o ginásio. Tive a melhor e maior surpresa de aniversário - ter os meus irmãos juntos ao fim de tantos anos. Fui  tia pela quarta vez. Desiludi-me mais do que devia. Cedi mais do que queria. Perdi-me. Ainda não me reencontrei. Reencontrei amigos antigos. Visitei lugares antigos, e visitei assim as recordações desses mesmo lugares. Visitei a minha cidade do coração algumas vezes. Vi quem são os amigos verdadeiros. Fiquei feliz pela felicidade de outros. Fiquei triste por problemas de outros. Fui uma amiga presente. Senti-me independente de relações que me causavam dependência. Emocionei-me com a felicidade de quem tem pouco, mas tem tanto para ensinar. Ajudei esse alguém. Fiz as melhores férias da minha vida, só por ter perto as melhores pessoas da minha vida. Conheci o Presidente da República. Descobri novas músicas. Descobri que tenho uma artrose. Não desisti. Passeei menos do que queria. Li menos do que queria. Mas sorri mais do que esperava. No entanto, este ano ano fica marcado pela frustração, superação e perseverança.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Do cansaço

Enquanto cresces, sonhas. Quando chegas à vida à adulta, não parando de crescer nem de sonhar, esperas a concretização dos teus sonhos. E eles tardam em chegar. Tudo se desmorona, tudo parece tão sem rumo, que o que escrevo prece um diário de uma adolescente.
As fases das perguntas, das dores de alma, fazem-me sentir pequenina e negra por dentro, sombria, fria. Crescer é bom, amadurecer mostra-te por onde queres ir, mas nem sempre consegues ir. Mostra-te quem queres por perto, E quem é dispensável ou já o foi, mas agora gostarias que não fosse. As vontades mudam, as perguntas também, as prioridades são completamente diferentes. Ainda bem.
Mas cansa, seres tão cheia de sonhos, tão cheia de vontades e certezas e nada se concretizar.
Cansa seres tão tu, tão decidida e determinada, e nada ser valorizado. Cansa dares de ti aos outros, e não veres reconhecido o teu valor. Cansa sonhar! Cansa pensar que desistir de alguns dos sonhos, é um caminho. Ficar presa nos sonhos... não é nada maduro. Mas nisso, eu nunca quis crescer!

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Um enorme e sentido Fo**-**

Às vezes gostaria que o tempo parasse. outras que avançasse desmedidamente.
E saltando entre pensamentos aleatórios vou seguindo. Sem saber para onde e isso dói, dói porque tenho mente inquieta e desejo de seguir em frente, contudo sabendo para onde, seja um caminho mais rápido ou mais lento, mais ou menos doloroso, preciso de determinadas certezas.
Quero saber para onde vou!! Sei pelo menos com quem contar. Mas quero saber que magoas me esperam e por que conquistas vou ter de lutar. Pelo menos algumas.
A vida mudou, mas estagnou. E não está como eu quero. É como se uma ampulheta caísse, e na horizontal não deixasse cair o resto da areia, o tempo deixou de contar. O tempo sobra. E o que resta são pensamentos aleatórios. Escrita sem sentido. Desabafos abafados. Tempo que não passa e uma ampulheta parada. Gostava que o tempo parasse. Só não parou onde eu queria. Podia ter parado lá trás...

domingo, 3 de janeiro de 2016

2015

Em 2015...
Nasceu o meu sobrinho. Passei a primeira noite no hospital com ele. Voltei à minha cidade natal e deixei a de estudante. Comecei  meu estágio curricular. Aprendi imenso com ele. Desejei que não terminasse. Tentei decorar a paisagem que via do 4º andar do hospital a cada gole de café. Superei-me enquanto futura psicóloga. Tive o meu primeiro 18 na faculdade, no estágio. Tive prazer em me levantar cedo e ter consultas para dar ou observar. Fui feliz num hospital. Não me quis despedir dele. Senti-me grata. Orgulhei os meus pais. Acompanhei familiares ao hospital, e por isso também lá fui infeliz. Queimei as fitas. Usei uma cartola e bengala. Fui extremamente feliz no cortejo. Parti o tacão do sapato do traje ao fim de 5 anos, no último dia em que o usaria. Ri muito. Tive saudades da minha cidade de estudante e voltei sempre que possível. Terminei o curso. Recebi amigas em casa e diverti-me cm isso. Chateei-me com amigas de infância e senti-me injustiçada. Fiz as pazes. Recebi presentes inesperados. de forma inesperada - um na porta e outro debaixo do bolo de aniversário. Andei de avião pela primeira vez. Fiz férias a dois, duas vezes. Comi imenso queijo. Tentei captar com todos os sentidos os Açores. Provei a tripa de ovos moles de Aveiro. Apanhei uma bebedeira e dancei desalmadamente. Pedi a uma amiga que não fosse embora. Fiz declarações sem fim de amizade e de amor. Sai mais à noite. Apaixonei-me. Reaproximei-me de amizades mais distantes. Fiz novos amigos. Trabalhei mais. Comprei um computador com o meu dinheiro. Desiludi-me com a tese. Desiludi-me com professores. Cumpri prazos. Fiz tudo na última. Não me esforcei. Esforcei-me. Emocionei-me com os meus agradecimentos. Senti-me triste pela ausência do meu irmão. Fiquei feliz pela presença de todos os outros. Tive um almoço de finalista. Estive no hospital a soro pela primeira vez. Recebi a primeira carta endereçada a mim começada por Dra. e foi estranho, mas soube bem o perceber que tinha terminado. Comecei a fazer unhas de verniz gel. Perdi um anel com significado. Chorei imenso por isso. Percebi que algo que nos é dado com sacrifício e por alguém tão importante ganha uma importância assustadora. Chorei pelos atentados de Paris, pelo medo de alguém importante ficar impedido de estar num momento igualmente importante. Pedi desculpa. Tive a noticia que teria outro sobrinho. Evolvi-me num projeto no hospital, com uma população que desde o inicio do curso não gostava de estudar. Fui surpreendida e passei a gostar. Comecei a praticar exercício. Odiei cada despedida. Comi tudo o que gosto. Perdi a conta às francesinhas que comi. Namorei muito. Chateei-me muito. Duvidei. Apaixonei-me todos os dias. Escolhi-o todos os dias. Senti inveja. Senti ciume. Senti-me incompreendida. Escrevi menos do que gostaria. Vi que tenho uma família que me motiva e é a minha inspiração. Vi o meu sobrinho imitar-me em coisas parvas. E fui feliz com isso. Desiludi-me. Surpreendi-me. Senti-me inútil. Odiei ser desempregada. Chorei de saudades por alguém que não o sabe. Fui ao cinema menos do que gostaria. Fingi não ver alguém. Não me arrependi. Cozinhei muito bem. Conheci-me. reencontrei-me. Percebi que sou alguém que aprecia detalhes. E sou alguém de pessoas, das minhas pessoas. Amei-as em todos os momentos!
Fui feliz!