segunda-feira, 21 de maio de 2018

Medo

Tenho medo de querer. Mais medo de querer e não ser. Almejo mais para mim, do que acho que vá conseguir. Porque quero tanto...
Tenho medo.
Tenho medo que as minhas ânsias me atraiçoem.
Medo de perder a minha esssência. Tenho medo de ver os meus sonhos submergirem nas imposições da sociedade.
Tenho medo de estar errada.Odeio estar errada!! Tenho até medo de não saber o que quero. Medo de querer o mesmo que o comum dos mortais. Não tenho medo de ser comum. Tenho medo da mortalidade, da enfermidade que é viver, da fugacidade do tempo.
Tenho medo dos passos. Passos certos na incerteza do querer. Passos a medo. Passos confiantes mas receosos das consequências.
Tenho medo.
Tenho medo de me acomodar a uma vida que não idealizei. Tenho medo de quebrar laços. Deslaçar e enlaçar, assusta-me.
Tenho medo de ser imatura por não aceitar menos do que sou e do que idealizo. E, ainda assim, ter medo de mudar e não acomodar.
Tenho tanto medo de olhar para trás, um dia...
Tenho medo das certezas. Porque aprendi, a medo, que nada é para sempre!

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Ser

Sou. Sou de saudades quando o tempo passa. E quando parece não passar. Sou de nostalgias esperadas e inesperadas. Sou de não querer perder quem tenho. Sou de querer manter quem gosto bem por perto. Sou de não gostar de perder pessoas. Sou complicada, mas com um pensamento tão descomplicado e rudimentar como - se as pessoas não causaram danos não têm que ir embora. Infantil de tão primário, sei-o bem.
Sou de pensar. De repensar. Sou de me redefinir e tentar enquadrar o meu eu neste louco mundo. Ou de tentar enquadrar este meu louco eu neste mundo. Sou de ver complexidade onde nem sempre a há. Sou de não querer sair de onde fui feliz. Se pudesse dividia-me em 2 ou 3 pedaços de gente e vivia nas cidades tão cheias de mim e eu delas, onde fui feliz, onde estão as minhas pessoas. Mas sou de pensar e defender que o que somos temos que o ser por completo, por inteiro. Por isso o dito anteriormente não faz grande sentido. Porque sou uma inteira complicada. Sou-o inteiramente na maioria dos meus dias. Sou de sonhos. Sonhos que me atropelam e me fazem duvidar da razão. Principalmente da razão desta sociedade onde me tento enquadrar. Mas, ainda assim, recuso a deixar de ser eu por inteiro. Dizem que não mudo. Digo disparates, digo o que me vem à cabeça sem pensar nas consequências (infantil ou ingénuo, por vezes), esqueço-me que as pessoas podem ver maldade no que digo, sei-o depois de dizer, porque observo. Observo as entre-linhas, as entre entre linhas. Por isso mesmo dizem que não mudo também. Pareço arrogante. Sou arrogante e irónica. Todos os dias. Sou, porque ás vezes parece tão óbvio as minhas verdades que duvido que a complicada seja eu. Sou de ter orgulho no que sou, mesmo que o ser traga dissabores. Sou de verdades. Sou de ficar possessa, indignada, completamente furiosa com inverdades, meias verdades ou algo que não seja a simples e cruel verdade. Sou de ouvir "és tão má", quando digo o que penso, e sou de pensar logo a seguir e dizer "pois, mas não discordas de mim, eu apenas o disse". As pessoas na maioria das vezes acham piada às minhas verdades, opiniões e argumentos. Ou melhor, à minha ironia. Mesmo a dizerem a rir que estou a ser má. E, aí eu discuto. Sou de discutir. De discutir ideias e ideais, opiniões e não opiniões. Irritam-me não opiniões. Aquelas pessoas que são sempre as certinhas, imaculadas e bem educadas porque não partem um prato, porque engolem o que pensam mesmo quando entre o dizer e o não dizer, o dizer poderia servir para as defender. Não sou de achar que se deva confundir boa-educação com passividade ou sadismo, nem de achar que se deva confundir sinceridade com má educação. Tento não ser mal educada, mas pareço agressiva e arrogante. Já o disse. Mas o que não sabem... é que sou de inseguranças. Sou de duvidar de mim, do que valho e mereço. Não sou de o mostrar. A ninguém. Só o sabe quem me observa, sabendo que por trás das minhas verdades e respostas, está alguém que pensa saber a verdade sobre si, e a isto se junta a característica de ser complicada, o que conjugado culmina em duvidar do que é. Isto sou eu a racionalizar o que sou. Sou de racionalizar. Sou de complicar. Sou de pessoas. Sou de duvidar de muita coisa, mas acreditar que as pessoas deviam ficar. É... verdade verdade é que sou de saudades.

terça-feira, 27 de março de 2018

Avós

Hoje dois dos meus avós fazem anos. O pai da minha mãe e a senhora que colocou o meu pai no mundo. Esta forma de descrever, não foi despropositada. Tal como não é nada do que vou escrevendo.

Hoje pensei no papel de avós, pensei no que seria ter avós de verdade. Porque para mim os papéis que se assume na vida de uma pessoa nada tem a ver com o sangue. Tem a ver com trocas reciprocas. Trocas genuínas. Eu não tive os pais dos meus pais a assumirem o seu papel de avós. Não tenho memória do colo, nem do cheiro dos avós (mesmo da única que está viva). Não me lembro da ansiedade de visitar a casa deles. Nem do cheiro das comidas típicas que os avós fazem. Não me lembro de sentir que os avós gostavam de mim, com aquela ternura de avós. Aquela que reconheço na minha avó do coração. O único momento que me recordo que poderia gostar de mim, era o meu avô paterno, tinha traços de avô, cabelos todos brancos e tentava pegar em mim ao colo. Morreu quando eu tinha 5 anos, e lembro-me de apenas uma vez ele pegar em mim e eu recusar porque tinha medo dele (tinha problemas de saúde relacionados com o fígado e apesar dos olhos azuis lindos, tinha um tom amarelado, e eu dizia que parecia um monstro. sim, sem maldade alguma).

Eu tenho uma tia, avó no coração, que cuidou de mim quando a minha mãe trabalhava. Ensinou-me a rezar, comprava-me sugos à quinta-feira, faz o melhor leite-creme do mundo e não há frango assado em forno a lenha como o dela. Ia para casa dela antes e depois da escola. Fazia-me as melhores torradas e café do mundo, para pequeno almoço. Comprava-me os meus iogurtes preferidos e mandava-me escolher um bolo quando chegava a carrinha do padeiro. Emprestava-me os xailes dela para eu ver televisão quentinha, ensinava-me a aquecer as mãos no fogão a lenha. Secava-me a roupa quando eu chegava encharcada da escola, ralhava-me quando demorava e dizia-me que não havia amigas, talvez fruto das amargas aprendizagens da vida. Soubesse ela o quão tornou a minha tão doce. Dizia-me e ainda diz que não posso ser tão resmungona e que Deus nos ensina a perdoar. Levava-me à missa todos os sábados, e ela gostava da minha companhia porque toda gente dizia que me portava tão bem. E eu ia ter a casa dela todos os sábados voluntariamente. Não porque adorava ir à igreja, não porque era extremamente crente, sei-o hoje que era pela companhia, pelo ritual. Quando a minha mãe trabalhava no turno da noite, eu ficava em casa dela e dormíamos juntas, eu chorava pela minha mãe e lembro-me dela pegar em mim e levar-me à janela e dizer-me "vês? olha o céu está noite e está estrelado, amanhã quando for dia a mamã vem te buscar. quando acordares", e isto acalmou-me duma forma quase mágica e depois pedi-lhe que se virasse para mim, e que rezasse comigo e então fazíamos o mesmo de sempre - ela dizia algumas palavras e eu repetia, pedíamos sempre saúdinha (como ela diz) para os papás e para os manos. É isto ser avó, nunca pedir para ela, e ter tanto para dar aos outros. E continuar a dar raspanetes ao longo da minha vida "porque não me ensinou a ser assim", como diz tantas vezes.

Esta minha avó de coração é irmã da minha avó de sangue. Obrigou-me em pequenina a cumprimenta-la, e no alto dos meus 6/7 anos eu recusava-me, escondi-me e dizia-lhe então "essa senhora não é minha avó, ela pariu o meu pai e nunca quis saber dele", não funcionou. Ainda aleguei com a sabedoria popular "não se diz que parir é dor e criar é amor?", continuou sem funcionar porque sabendo ela que eu tinha razão, acredita que temos que ser educados e mais do que tudo acredita que temos que perdoar. Cumprimentei, respondi às perguntas chorosas de "como estão os manos?" e dei meia volta logo que me foi possível. Não percebi, e hoje passados 19 anos continuo sem perceber o porquê de uma mãe abandonar um filho e depois chorar a fazer perguntas desnecessárias. E sim, poderia ter sido diferente porque teve mais 7 filhos e só o meu pai é que foi abandonado. Hoje percebo o raio (trovão eminente) da minha personalidade com 7 anos, não me coíbo de mostrar gratidão e de mostrar de quem gosto, mas também não me inibo de mostrar que não gosto e argumentar para. E ainda que a minha tia não concorde, só lamento. Mas ela sabe que tento por em prática tudo (quase tudo, vá) o que ensinou.

Sei-o hoje e sei desde muito cedo que os papéis que assumimos na vida de alguém, e a sua importância não tem a ver com parentesco, tem a ver com o que fazemos por alguém. Tem a ver com o querer ver alguém feliz e querer genuinamente contribuir para isso. É tão simples. Trata-se de laços. Somente laços. Aprendi ao longo da vida, pelas histórias que ouvi e porque eu idealizava que os meus avós fossem velhinhos queridos para mim como o que lia nas histórias ou via nos filmes.

E hoje, não quis parabenizar ninguém. Mas senti-me imensamente grata pela minha tia ter assumido o papel de avó, que cuida com o coração.
Escrevo, para não esquecer.
Que não falhe na minha memória este amor em forma de cuidar.
Um dia... saberei perdoar como ela!

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

O último suspiro?

O amor é a própria analogia do coração. Enquanto tudo está saudável, somos novos, o coração bate num compasso alinhado e correto. As saturações, tensões estão dentro dos padrões. Tudo perfeito. A vida avança, o coração não enfraquece, mas ou as tensões são altas, ou é recomendada a prática de exercicio, o corte do sal e ter atenção a toda a alimentação. E quando um coração com a idade para? reanima-se! e volta-se a reanimar. e ele não morrendo continuando a bater reconhece-se a existência de arritmias. Até ao dia em que não havendo reanimação possível cede e depois de alguns anos a definhar, morre. Não há sangue para bombear, não há corpo para nutrir e oxigenar.
E o amor? E as relações? Reanima-se, volta-se reanimar. faz-se o que é recomendado - os exercícios, o esforço, cultiva-se o romantismo, cultiva-se tudo o que é pedido e aconselhado pelos sabedores e doutorados em amor. Porque há um manual para amar. Eu não sabia, ate porque nunca o cumpri, ignorei tantas vezes esses sabedores, porque acredito e defendo que o amor não tem um manual, o amor é intuitivo e complicado, não é linear- "se gostasse de ti, não fazia isto"... ah pois então, claro, os sabedores defendem um padrão perfeito. Só que não sabem patavina de superar obstáculos, mudanças de personalidade, mudanças de contextos de vida, mudanças, mudanças, mudanças... e sendo clichê - meus filhos, se a vida não é perfeita como vai o amor sê-lo?, ah e tal o amor é o que nos faz feliz e nos faz acreditar na vida. Vá, agora vamos ser crescidos e perceber que a Disney é ficção ok? - ah, então se o amor não é perfeito na idade adulta eu não quero crescer. - já disse que a Disney é ficção, deixem se lá de Peterpanzices e frases de facebook.

Eu sinto que o meu amor é uma arritmia à espera do último suspiro, questiono-me quando vai parar de vez e que nenhuma recomendação o faça voltar a viver. Será este o ultimo suspiro? Porque sou racional e sei que não vai ser para sempre. Sei-o, sei-o tão bem no meu intimo. Sei que já foi reanimado pelo menos duas vezes, deixou lesões como deixaria num coração normal. Não percebo nada de anatomia, de cardiologia. Percebo de perdão, não conheço nem me ensinaram sobre os meus limites de amar e perdoar, sei de cor o que é a abnegação do que sou ou queria ser para amar incondicionalmente. E não queria ter que aprender a viver um amor moribundo. Não quero reanimar mais nada, e seguindo o meu coração, sei pela minha cabeça que depois de tanta reanimação vamos amar em arritmia. Se estiver enganada, tenho que ressalvar que foi o amor mais puro de que há memória, e que valeu cada reanimação. E que, vivendo em arritmia (por enquanto) não sei se o batimento ficará estável e quem esteja em arritmia seja o meu cérebro cansado de pensar. Mas, não percebendo nada, nem sendo doutorada em amor, sei que o amor é a analogia perfeita do coração. Toda gente o sabe

domingo, 29 de outubro de 2017

Música, Poesia e Palavras

Vou procurar por ti. A cada recanto. Em qualquer ruela, passeio ou sombra. Vou procurar as tuas palavras, a tua paz e o teu olhar vago e ao mesmo tempo atento. Talvez nunca mais te veja... e isso deixa-me incansavelmente agitada. Triste até. Nunca é demasiado definitivo. Vou esperar que o meu olhar alcance o teu e te desconforte. Vou procurar que a tua paz seja a minha, que a tua poesia me acalme a ansiedade mais angustiante, que a tua música seja um ombro onde me possa acomodar. As tuas palavras sempre certas fazem-me falta. Dou por mim a tentar lembrar, como um mantra que sigo, para não me esquecer que posso ser louca. Sim, não me posso esquecer que posso ser louca, ser genuína, confusa e gostar de mim. Por isso, vou-te procurar. Ou esperar, que deixando de te procurar, tu me encontres em qualquer ruela, passeio ou sombra.
Porquê que alguém que me poderia transmitir paz, me deixa inquieta quando a nossa distância é tão grande quanto a tua capacidade de dizer as palavras certas? Fará sentido procurar o que já não sei se existe? Não sei. Sei que te vou procurar. E, se na loucura não te encontrar, que encontre a minha paz e que nunca me esqueça das "palavras sempre certas". Se encontrar e não me transmitires paz, que seja uma procura que me leve ao encontro de mim. Até à resposta, ao encontro ou desencontro, vou seguir a minha saudável loucura e lembrar-te que o Porto também és tu!
Que um dia, eu tenha a resposta para tudo isto. Entre encontros e desencontros, tenhas sempre música, poesia e palavras - afinal, não é tudo a mesma coisa?

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Minha Invicta

Hoje, dia 10 de Fevereiro de 2017 recebes o prémio de melhor destino europeu.
E, hoje, especialmente hoje, tive saudades tuas. Sinto vontade de te escrever como se de um pessoa te tratasses. Não o és, mas não acredito que sejas uma simples cidade.É demasiado redutor.
Quando no longínquo ano de 2009, saíram os resultados para a entrada na faculdade, calhou-me a sorte (não reconhecida) a minha primeira opção, e essa tinha sido numa faculdade do Porto. Escolhi-te, sem noção das consequências, escolhi-te por amor àquela que seria a minha profissão, escolhi-te por amor à minha cidade, escolhi-te por amor à minha família (eras a cidade mais perto da minha com o curso que eu queria). Só podia ser um bom presságio, escolher-te com base no amor! Escolhi-te, mas não te aceitei. Descrevia-te como cinzenta e escura, para mim eras um mistério. O que eu adoro mistérios e desvenda-los, só que não sabia. Porque no Porto, entre a tua escuridão, redescobri a minha cor entre cinzentos e vermelhos, descobri-me.

Vou-te contar os primeiros tempos em que me acolheste. Na procura de casa para ficar, recusei-me a viver em ti e a descobrir-te. Decidi que faria viagens diariamente de comboio, da minha terra natal para a faculdade. Abominei-te e que injusta estava a ser. Nem te dei a oportunidade de te mostrares... mas eu sou assim, impulsiva e por vezes injusta porque sigo demasiado as minhas convicções e aquilo que me é seguro. Sou estupidamente resistente a mudanças. Isto também descobri quando vivia em ti, contigo. Sim, vivi contigo e fui tão feliz. Depois de 2 anos nesse vai e vem, descobri que deveria dar-te a oportunidade, deveria dar a a oportunidade a mim de viver aquilo que me estava a impedir. E aí começou a nossa história feliz...

Em ti vivi as melhores tardes, tive as melhores conversas. Na Ribeira fui eu, sem convicções, ri e chorei genuinamente. Os clérigos serão sempre memoráveis e terei sempre a tendência de querer desce-los a correr. No Douro... as conversas, as memórias e ouvi as palavras mais bonitas duma das pessoas mais bonitas da minha vida " lembro-me de muitos momentos felizes aqui no Porto e tu estás em todos". Perdi-me no Porto. Amei e sofri no Porto. Vivi uma história de amor. Vivi outra de paixão, ou sabe-se lá quase amor, de certeza aventura. Tive medo no Porto. Tive medo de andar sozinha de noite nas ruas do Porto. Andei por ruelas a primeira vez e apaixonava-me por cada fachada. Cantei o Porto Sentido a subir a Rua do  Mouzinho, em coro com as minhas pessoas. Cantei tantas outras coisas sem sentido nenhum por imensas ruas. Fiquei de coração dividido, ansiava o regresso ora à minha cidade natal, ora à cidade do coração - tu! Diverti-me tanto em ti, mais do que noutra cidade qualquer. Senti-me livre. Fui, pela primeira e única vez chamada a atenção pelos vizinhos devido ao barulho na madrugada. O Covelo será sempre sinónimo de tardes adocicadas com gelados e conversas e faltas às aulas. Cada queima das fitas, cada serenata foram mais que tradição, significam pessoas, lágrimas e sorrisos, abraços verdadeiros. O traje que vesti, as capas que tracei, a capa que me traçaram, a capa que batizamos (eu e as minhas pessoas)... sempre como pano de fundo o Porto. Sempre! As fotos no Natal nos Aliados, tornaram-se tradição. O Piolho, a Cordoaria, a Fonte dos Leões e a das Laranjeiras... não sei descrever. Conhecer pessoas que trouxe comigo para a vida, partilhar casa e abdicar do meu espaço, e ser feliz a partilha-lo. Os passeios pela rua Santa Catarina,  o adorar o frenesim das pessoas a andar de um lado para o outro, o cheiro a castanhas assadas e a música dos pedintes. Sem dúvida que em ti fui sempre eu, e tornei-me menos resistente a mudanças, mas sempre complicada. Vivi-te mais tarde do que merecíamos, mas vivi-te o melhor que consegui. Sim, existiram momentos maus, passei em ti a pior fase da minha vida, mas ofereceste-me o melhor de ti e o melhor de mim.

Representas descoberta, amor, vida, escuridão (quem disse que isto era mau?), nostalgia, mudança, saudade, aventura e pessoas. Não quis vir embora e hoje tento todos os dias voltar a ti. Voltar não é o termo certo, porque nunca te deixei!
Espero que seja um até já

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Eu sei lá

Queria tirar o meu passado de mim. Colocar-me em algum lugar que não este. E sim, sei a sorte que tenho em estar aqui e ter família e blá blá blá. Dizia eu que queria tirar, arrancar o meu passado de mim. Da memória e apagar sentimentos. Não acredito no destino, acredito que desenhamos, bordamos, delineamos, tecemos (o raio da arte que tiverem mais jeito) o nosso caminho. Mas, eu sou desastrada, desorientada, descoordenada e distraída (bastante!!) que nunca tive jeitinho nenhum para estas coisas minuciosas. Uma trapalhona, portanto! Não estou a exagerar... um dia um professor de educação visual perguntou-me se eu via mal, se sabia de algum problema nos olhinhos da minha pessoa porque eu não acertava uma medida NUNCA, uma esquadria falhava quase sempre, para não falar do meu dom e jeito para trabalhos manuais e essas coisas. Dos meus irmão mais velhos sempre recebi elogios como - "não tens jeitinho para nada" ou " és mesmo descoordenada, tens umas mãos que parecem uns pés", uns queridofofocoisos! Ora bem, isto deve-se repercutir no que se trata de dar forma a este meu caminho. É, que de repente sem dar por isso, os bicos dos lápis partiram-se, as linhas desfiaram e as agulhas perdi-as, é que não há muito para delinear e nem consigo encontrar o rumo disto. Disto. Disto que é a vida! Não quero saber do "às vezes é bom parar para pensar no caminho", "tudo tem uma razão". Mas ora foda-se... que razão? Eu não quero aprender muito mais sobre a vida do que já sei. Não agora. Estava bom como era! E, eu não quero parar. Queria seguir, em passos descoordenados e a tropeçar, mas parada não!
Sinto o caminho como a mim mesma, escura, negra e vazia. Não vejo um palmo à frente, uma luzinha de presença se quer! E, no caminho, ainda digo parvoíces a pessoas erradas (???) que para além de pensarem que sou tudo o que já disse, acrescentam à panóplia de qualidades - louca!! tudo a correr bem (para ti pessoa, a mágoa e o cansaço levam-te a dizer o que não pensas, por isso não, não teria feito nada diferente em relação a ti. grata).
Sinto, sem querer, que estou à deriva, num mar de mágoas parado, calmo, mórbido (tão profunda que estou, uma poeta), mas no fundo agitado. Estou frouxamente agitada, se isso existir eu sou o sinónimo vivo e a cores. É isso, frouxamente agitada. A escrever encontrei a minha definição... Sinto-me perdida e parada, mas em ânsias de andar de chegar a onde e a quem quero. Negra por dentro, como se quisesse não sentir e arrancar tudo, mas um vermelho fogo nos sonhos. Não sei, dizem que é do signo... a intensidade e os extremos. Já agora se conseguisse arrancar o passado, poderia também escolher outra data para nascer, talvez isso me levasse para outro lugar! Poderia na loucura não ser frouxamente agitada e ser vigorasamente estável.