domingo, 15 de dezembro de 2013

Espírito Natalício e reflexões de fim de ano

O Natal está aí, com ele o final de ano. Começam as reflexão de fim de ano, sentimentalismos disfarçados de falsos valores para alguns, reflexões imbuídas de sentimentos verdadeiros para outros. Uma altura de pensar no que se passou e de anotar no papel os desejos para o próximo ano. Uma altura de pensar em concretizações, arrependimentos, tempo ganho ou perdido, nos "ses", desejos, sonhos, projectos. Um exame de consciência e uma idealização do futuro.
Não serei diferente, mas sei que há coisas que sempre valorizei e que não valorizo apenas nesta altura do ano. E essas "coisas" estão nas imagens que se seguem. 

A minha família, meu pilar, onde procuro conforto e com quem gosto de partilhar as minhas vitórias. Sempre, sempre. 
Abraços... já aqui escrevi que os adoro. São para mim importantes, essenciais quando chegam dos meus meninos e dos meus amigos.
Sonho, os meus sonhos... Não abdico deles, orientam-me e mostram-me sempre por onde devo ir quando fico em dúvida. Considero-me alguém sonhadora, no entanto, sou feliz com pequenas coisas, como este pequeno passeio num fim de tarde pela minha cidade de estudante com a melhor companhia.
Amor! Penso que basta ler alguns textos aqui do blog para perceber o quão este sentimento é importante, no quanto acredito nele e no quanto ele está presente em muito do que faço.







Estas são imagens da minha cidade de estudante. Da cidade que eu desprezava quando aqui vim parar, não gostava dela. Agora adoro, talvez pelas pessoas que esta cidade me "deu" e que certamente levarei para a vida. E, claro que nesta fase quase introspectiva, não consigo deixar de olhar para trás e ver o que ganhei até aqui, o que consegui ultrapassar, os momentos que vivi e que no fim o que mais deu sentido a tudo isso, foram sem dúvida, as pessoas. As surpresas foram muitas a partir do momento em que me permiti a ser surpreendida, os momentos foram e serão muitos desde que me permiti a vivê-los. O que ganhei? Mais uma vez... pessoas! Pessoas que fazem parte da minha vida, que passaram a integrar planos do presente e projectos futuros. E mais que isso, preenchem o meu passado recente de boas e ricas recordações.

P.S.: Adoro a lua na foto da árvore de Natal!



quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Carta ao meu Futuro


Olá Futuro

Quando chegar a ti, este momento já será passado... grande constatação, super inteligente, não é? Não ligues. Talvez eu seja diferente quando aí chegar, quem sabe mais inteligente, não desesperes.
Espero que tenhamos uma boa relação e que ambos nos consigamos surpreender. Quem sabe ate nos daremos bem e teremos muito gosto em nos conhecer. Se não tivermos, paciência. Outro futuro virá a ser um outro meu Presente. E, lamento, não terei saudades tuas se assim for.
Sabes Futuro, eu gostava que eu  continuasse sonhadora como sou agora no Presente.Que continuasse a gostar de música, de ler e escrever e de rir. Rir muito. Gostava tanto de quando chegar ate ti ter a mesma determinação e conseguir concretizar algumas coisas que há muito sonho, como por exemplo trabalhar na área que quero, visitar Veneza. Gostava de criar um projecto para um sitio que me é muito especial. Quero ter sempre tempo para tudo o que me é importante: família, amigos e para mim própria. Quero muito olhar para ti e gostar de ti e pensar que aqueles que te seguirão, serão tão positivos quanto tu. Recheados de alegrias e aprendizagens. Sabes do que gostava mesmo? Assim um devaneio... gostava de poder ser uma tia/madrinha maluca para os meus sobrinhos e afilhado, leva-los a comer porcarias, ao cinema, teatro... no Verão leva-los a acampar e a comer muitoooos gelados... Espero que me permitas isso, para o que o teu amigo Passado seja para eles algo bom e que eu tenha lá uma presença bem animada. Ah, gostava de conduzir melhor e ser menos distraída, pode ser? Quero ter uma vespa azul para passear no Verão.
Sei que quando nos conhecermos talvez eu tenha gostos diferentes, mais maduros e mais requintados, mas sei que vou continuar a gostar das coisas mais simples... de cozinhar, de ir à praia, do colo dos meus pais, dos abraços dos meus meninos, de estar tardes à lareira, de andar a pé, de café e torradas, de conversas, de conversas tardias, de chocolate, de ouvir música e ler, de dar presentes, da lua e de tardes ao sol. Eu sei que sim, que vou continuar assim!
Futuro, confesso que estou ansiosa por te conhecer e por estar perto de ti. Mas uma ansiedade boa porque sei que te vou aproveitar e saborear muito bem. Não quero certezas do que vai acontecer, do que tens para me oferecer. O factor surpresa é mais aliciante.

Uma coisa eu sei, no futuro haverá lua. E dias de sol e outros de chuva... e isso para já basta-me.

Até já, meu querido e apetecível Futuro!




domingo, 1 de dezembro de 2013

Dezembro


Dezembro é um mês agridoce. Ora um mês de festejo, ora um mês que me lembra mortes e em que faz anos que as mortes aconteceram. Morreram-me pessoas e coisas em Dezembro. A vida como eu a conhecia mudou em Dezembro. O primeiro Natal sem aquilo que partiu, o primeiro fim de ano sem isto ou aquilo. O fim dum ano, num novo começo de vida. Fazer a reflexão sobre o ano que passou, com uma morte tão recente.

Este Dezembro será diferente, será um mês de festejar o que tenho e lembrar com carinho quem partiu.
Neste Dezembro eu também sou diferente, sou alguém que já fez o luto, já aprendeu a viver feliz sem o que me fazia falta, sou positiva e sei que vai ser diferente. Vai ser um fim dum ano em que tenho muito para festejar. E tenho a coisa mais importante para festejar... a vida! Clichê ou não, aprendi a festejar a vida. E só aprendi isso porque vivi as mortes de Dezembro.
A morte não é má. Perder uma coisa não quer dizer que seja para sempre, porque apenas a perdemos como ela era até então, depois aquilo que morreu renasce melhor, diferente. Mas sim, morre na forma como a conhecíamos. Por isso, a morte pode ser boa e acrescentar muito em nós. Mais força, mais determinação e mais positivismos. Dezembro ensinou-me que a morte é um fenómeno necessário.

Este Dezembro vai ser apenas doce.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

As primaveras no Outono


Já passaram 22 duas primaveras que a Cacatua voa por esses céus, deixando pegadas, acumulando cores, formando arco-íris, aprendendo com as pegadas dos outros para dar novos passos e novas quedas.
A Cacatua nasceu no Outono, onde o frio começa a fazer parte do dia-a-dia, as árvores ficam despidas e as folhas que caiem transformam as ruas num manto colorido de folhas, o céu escurece mais cedo e a lua aparece, os dias tornam-se mais curtos, nas ruas vendem-se castanhas, as bebidas quentes já apetecem e as lareiras acendem-se. A Cacatua nasceu numa estação onde o frio começa a marcar presença, mas onde o calor das pessoas que a amavam não faltou para a aquecer e para a ensinar como é possível com pequenas coisas aquecermos quem por nós passa. Assim, a Cacatua aprendeu desde que nasceu que o frio é fácil de ultrapassar, consegue-se criar formas de o transformar em algo passageiro. Nasceu numa estação onde há mudanças, onde as coisas que já não fazem falta caiem para, mais tarde, dar lugar a novas; onde tudo ganha uma nova cor - o céu mais cinzento, a noite mais escura a contrastar com as estrelas e a lua e as folhas verdes passam a amarelas, vermelhas e castanhas. Uma altura de mudanças, portanto. Por isso, a Cacatua não tem medo de mudanças, ensinaram-na a transformar o frio em calor confortável e a ver a queda das folhas como algo positivo, pois estas caiem conseguem colorir o chão e as árvores poderão renascer. 
Foi ensinada a voar com um sorriso, determinação para se adaptar ao frio e enfrentar ventos sem nunca desistir, porque lhe mostraram que quando caísse alguém estaria lá para a agarrar e voltar a ensinar a voar. sem medos. Com persistência. Idealizando e sonhando sempre. Sempre.

Há uns dias, eu fiz 22 anos. Estava um dia lindo de sol de Outono, estava frio. Afinal... era Outono. Mas, se esta é uma estação de mudanças, há coisas que nunca vão mudar. A importância do calor daqueles que eu amo será sempre essencial e será sempre necessário para me aquecer e partilhar comigo todos os dias importantes da minha vida, deste meu voo... porque sem eles eu não deixaria qualquer pegada. Simplesmente não teria aprendido a voar!

Poderia ter nascido em qualquer estação e aprender tantas outras coisas... Mas cheguei com o vento e o frio e cresci com calor e serenidade. E sempre ouvi dizer que para aprendermos, nada é melhor do que ter o conhecimento de mais que uma realidade, e dentro dum contraste, foi-me ensinado o equilíbrio para voar com amor. 


quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Amiga! Que me guia e come chocolate comigo

Minha Estrelata

Gosto tanto de ti! Mas tanto!
Hoje foi bom reencontrar-te... foi bom rir das desgraças. Foi bom ouvir-te, perceber que nada muda com o tempo que estamos afastadas, que a cumplicidade permanece e que posso ser eu quando estou contigo. Foi bom entender que és e serás alguém sempre importante, que me compreende e me abre a cabeça. Que me diz "sei lá... queria que tivesses fogo de artifício" (agora esta é a nossa cena privada para não ser só "aquele bocadinho").
Ver o quanto tudo mudou em tão pouco tempo. Crescemos tanto, já viste? Eu mudei tudo, coloquei-me em primeiro lugar, e tu tanto me dizias isso. Entrei em Mestrado, rio facilmente e aceito o que tenho e não tenho da melhor forma, mas sempre com um sorriso. Não deixei de ser quem era, a idealista e a menina certinha, apenas coloquei de parte o que quer ir embora... sei que me entendes. Se calhar não da maneira mais correcta, mas da maneira mais rápida e inconsciente e não sentimental. Não me arrependo... Até acho divertido uma vez na vida não ter sido racional e sentimental. Tu acabaste o curso, estás mais serena e com projectos. Continuas boa ouvinte.
Tenho saudades de quando vivíamos juntas, das músicas, das conversas, das cusquices, de eu não me calar quando querias dormir, do teu bacalhau à brás (sem estar cheio de óleo), das nossas danças ridículas, das gargalhadas, de ouvirmos os vizinhos e inventarmos histórias, de combinarmos o jantar e falarmos do nosso dia, de aguentarmos uma gralha e depois um zombie, e acima de tudo, de te ter perto para me ouvires.

Eu viajei para longe dos problemas... pensava eu! E nós rimos disso. A ironia da vida. E o que nos rimos disso, porque não há fogo de artificio, flores ou coraçõezinhos. Mas é bom achares que os mereço, mas não te preocupes nós colhemos os frutos do que semeamos, apenas estou com um problema de fotossíntese. Ando desde que me lembro a semear e a pensar e a agir com amor, algum dia receberei de volta alguma coisa que seja o fruto disso. Ainda me rio da conversa que tivemos, da tua cara a ouvires tudo como se fosse uma anedota. E no fundo é, onde é que eu me fui meter? Como saio disto agora? No fundo não, acho que está bem à superfície. Uma comédia, uma novela mexicana, um drama, um romance e já foi também um filme de terror. A minha vida já pertenceu a todos os géneros, e eu por vezes deixei de ser a actriz principal porque dei protagonismo a situações (não pessoas, porque essas têm o mesmo protagonismo) que não devia e agora sou eu a personagem caricata, verdadeira e principal (e lembro agora a música da Adelaide Ferreira - não digo que é uma comédia? só me lembro de coisas estúpidas). Hoje prevalece a comédia e o romance porque tenho sentido de humor e me rio com as situações, com amor. Sempre com amor. Apenas quero que assistas e vivas sempre de perto a este filme que é a minha vida. Porque tu tens nela um papel muito importante. Tu fazes parte do filme!

Tu não tarda viajas para longe também, mas quero que saibas que vou estar aqui para um bananinhas, para milka de chocolate de leite, para conversas e conversas. Para onde quer que vás, eu vou estar perto. Ou prometo que me vou esforçar para estar perto da melhor forma que conseguir. Não deixo o que é importante para mim e sou persistente, lembraste? Como dizias que isso podia ser mau às vezes, agora vou provar-te que é bom quando é feito com o coração.
Adoro-te pessoa!

Com carinho,
Chocolata

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Ou são pessoas simpáticas... ou são pessoas com uma grande visão

Uma pessoa tem pequenas coisas, que por vezes não damos atenção e que até nos fariam bem se lhes prestássemos a devida atenção porque até nos iriam fazer bem. Pois bem, desde a última semana ate hoje recebi alguns elogios que me fizeram sorrir. E não tem a ver só com estética.

Primeiro, um amigo da minha colega de casa. Esteve cá em casa num final de tarde e quando saiu, eu disse:
- C. o N é mesmo giro.
- Ele disse o mesmo de ti, disse que tinha uma colega de casa muito gira.
- Ui, está a ver mal. E eu de calças de pijama super largas e casaco de fato-de-treino e pantufas... que linda. O que tinha direito era o cabelo. Não me ia achar gira.
- Então? Se mesmo assim ele disse que eras gira, é porque és mesmo bonita, porque ficas bonita de qualquer maneira.

Soube mesmo bem, confesso.

Outra situação, foi hoje quando mostrei um presente a uma amiga minha, para eu oferecer a outra amiga. Era uma caixa com um adereço em cima.
Digo eu, enquanto mostro:
- Olha é mesmo gira, gostei deste pormenor. Não tem a ver, mas eu gostei.
- Aposto que vais arranjar qualquer coisinha para isso ter significado para ela.
- Claro que sim.
- Óbvio... Ou não fosses tu a (meu nome completo) que atribui sempre significado às mais pequenas coisas.

Conhece-me tão bem. Foi bom de ouvir.

Numa das minhas sessões de exercício e da minha amiga, na faculdade de desporto, uma colega nossa da faculdade juntou-se a nós. E estávamos nós, mulheres que somos, a falar de peso e ela disse:
- Tu és magra, és alta, tens mesmo as medidas de modelo.
- Eu nunca gostei de ser alta.
- Diz isso a uma agência de modelos.

Continuo sem gostar de ser alta. Mas, que é bom ouvir isto... lá isso é!

Ainda hoje, um amigo meu sem querer entendeu mal uma situação, de como eu não tivesse amigos na cidade de onde sou natural e por isso só iria ter amigos da cidade de estudante na minha festa de aniversário. E depois ele disse sem eu ter explicado:
- Tens um excelente carácter, por isso nem fazia nexo o que eu disse.

Simpático ou não, foi um bom elogio.

E são estas pequenas coisas que mal nos apercebemos que acontecem. E hoje em reflexão, percebi que tenho das melhores pessoas à minha volta.

Hoje foi um excelente dia, amanhã poderia continuar assim... E vai continuar.
Mas faltam coisas e o meu aniversário aproxima-se e como pessoa que dá significado às pequenas coisas... sei que vão faltar pequenas grandes coisas. Mas, tenho os melhores perto de mim e por isso muitos sorrisos e gargalhadas nesse dia não vão faltar! E também, há-de haver luar nessa noite. Há-de haver lua nessa noite a brilhar e a olhar para mim. Por isso, de certa forma, não vai faltar nada, vai estar perto e presente. Na lua e em pensamento.

E já divaguei...

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Contrastes

Conversa entre duas amigas que assisti

A.F - Então quando é que te vejo cá?
C.- Esta semana. Venho ao batismo.
A.F - Acho bem. E ficas para o jantar?
C. - Acho que sim, esta semana posso.
A.F- Acho muito bem. Vamos todas então.
C. - Está tudo bem contigo? Estás com um sorriso... É com o F. de não é?
A.F - ahahahahah esse acabou comigo, já tinha outra. Mas sim, estou bem.
C. - Outra!? voltou para a mesma outra vez?
A.F - Ná! Já é outra. Agora é a número 2. Eu devo ser a número 10 para aí.
C. - Não, eu acho que tu és a número 1. Mas ele é que pronto... anda na parvoíce.
A.F - Pois, não sei. É o que me dizem.
C. Mas não é assim, isso magoa.

Continuou com o sorriso.

Cena do filme Last Vegas

Sam com uma certa idade, recusa envolver-se sexualmente com uma jovem, quando tinha "carta branca" da esposa uma vez que ia para Las Vegas para a despedida de solteiro. A esposa ofereceu-lhe um comprimido azul e um preservativo.
Já na suite ele afasta a jovem.
jovem - Não queres ter sexo comigo?
Sam- Quero. Seria maravilhoso ter sexo contigo. Mas todas as coisas maravilhosas que me acontecem tenho que contar à minha esposa. Se eu não lhe puder contar as coisas maravilhosas que fiz à minha mulher... deixam de ser maravilhosas.

Duas histórias no mesmo dia. Uma verídica, outra fictícia. Opostas. Na primeira, a facilidade em se desprender e usar as pessoas e brincar às casinhas. Na outra, pensar com o coração. O valor da partilha do que de bom acontece, pois torna tudo mais maravilhoso. Tornar o outro numa prioridade, não apenas por respeito, porque nem era esse o caso, mas por amor e cumplicidade. Pensar no que se poderia perder numa vida, em vez do que ganhar num momento.
As idades nas duas histórias são diferentes, talvez sejam um caso de maturidade. Ou então, há coisas que são pura ficção e nunca acontecem.

Mas como li algures hoje:
"Maturidade é muito mais do que idade, é ter humildade de admitir erros, saber pedir perdão e perdoar"


"Here comes a night... It brings me back the moon"



Agarrei a lua!
Por momentos reencontramo-nos.
Imaginei-te ali, a voltarmos para casa numa noite fria junto a mim e a rir e sorrir com olhares cumplices idiotas. Lembrei-me dos narizes frios e as minhas mãos geladas.
Naquele bocadinho que cabe nas minhas mãos e se chama lua, e me lembrou outro bocadinho
aquele que se inicia nas nossas mãos e não acaba.
Vi a lua e por momentos... agarrei-te a ti. Naquele bocadinho que é nosso!
Por magia, a noite (contigo no pensamento) levou-me de volta à lua!

A Cacatua voa também durante a noite, quando assim o deseja!



I look at the sun 
it's already gone
the blue sky is turning black
I'm waiting for her
with my cigar box
it seems to be so different
it's all gone so quiet
(...)
I just care about the song
Uh, uh, uh, I like the sunset
It brings me back the moon.
(...)
When she arrives
I will sing all the songs that I know 
until now it has been
this way

Coisinhas que eu gosto

Jantar porcarias, como um kebab com molho picante!
Ver  um bom filme, com um balde de pipocas e rir-me até não poder mais. Last Vegas é espetacular.
Voltar para casa a rir ainda mais e a fazer figuras na rua.
Chegar a casa e ouvir boa música!

E tudo isto, numa boa companhia! Minha B. mai liiiinda :)
Adoro noites assim. Fazem-me feliz!!

Vejam. Aconselho muito a quem quiser dar umas boas gargalhadas :)



terça-feira, 5 de novembro de 2013

Atrás do vento, um outro vento

E, de repente, como que pela magia da lua deparo-me com músicas e essencialmente letras que dizem tudo, transmitem tudo e dão sentido ao que vi, vejo e sei que vou ver!
Assim não custa tanto. O caminho fica mais fácil, mesmo que não estejas a repousar ao é de mim e que eu tenha que enfrentar um vento e outro vento! Porque luto pela "utopia", que não é utopia porque é possível porque" eu quero apenas crer, no que eu posso ser". E eu vou enfrentar ventos, tempestades e tufões! Porque "quem como eu não desistiu" nunca vai esquecer o que é verdadeiro e é nada mais nada menos do que aquele bocadinho.




Todos os dias, em cada paz
Nasce um fogo que a desfaz
Atrás do vento, um outro vento
Semeia a dor e o lamento

Ao pé de mim, vem repousar
Segurar o sonho que balança
Ao pé de mim, tenta sorrir
Ensaiar um grito de esperança

Parece o mundo, maior que a vida
E sentes que, ficas perdida
Por ti eu espero, ao pé de mim
Ao pé de mim

Quem como eu, não desistiu
De esquecer o que já viu
Ainda lembro, a utopia
Por ela luto em cada dia

Ao pé de mim, vem repousar
Segurar o sonho que balança
Ao pé de mim, tenta sorrir
Ensaiar um grito de esperança

Eu quero apenas crer, no que eu posso ser
Por ti eu espero, ao pé de mim

domingo, 3 de novembro de 2013

Universo conspira e nós aprendemos! E sobrevivemos

" Uma hora ou outra o destino se ajeita, as coisas se acertam, o passado é esquecido, as dores cicatrizam. Quem tem que ficar fica, o que é verdadeiro permanece, e o que não é some. Não tenha pressa, não guarde mágoas, não queira pouco... sempre queira o melhor. Espere na sua. Aprenda a ser paciente. Aprenda a ouvir uma boa música quando a tristeza bater. Aprenda a ignorar o que te faz mal. Aprenda sobretudo a ter fé. Fé de que, por mais difícil que seja, o universo sempre irá conspirar a seu favor" Luiz Moreno


E esta é a música que eu vou ouvir.
De repente esta frase diz tanto, é tão importante. Mas eu preciso de respostas, eu tenho pressa... o quê que eu tenho que ignorar se o que me fez mal me faz bem e no fundo foi porque eu também fiz mal? Se é verdadeiro permanece, mas e quando até pode ir mas volta sempre, deixa de ser verdadeiro uma vez que nunca chegou a partir mesmo e permanece? É verdadeiro?

Se calhar por ter pressa e não ter paciência, o Universo continua a conspirar para que eu aprenda a sê-lo. No fundo conspira a meu favor.

Universo querido, eu vou aprender e acreditar em ti, ok? Mas por favorzinho vai lá ter umas aulas de pedagogia... é que à base da pancada isto já não vai lá. Ainda me vou arrepender tanto de dizer isto, e levar mais pancada que é para aprender a ser paciente com a pancada que levo.
Ai Universo, Universo!

Guarda isto... fixa!

Nos piores momentos, em qualquer momento. Naqueles que precisares dum abraço e de conforto e não puderes olhar a lua, lembra-te que serei eu que te vou "salvar" com aquele bocadinho. Vou dar-to como sempre.. e aí tu vais te sentir melhor, a lua sobre nós, o bocadinho em nós e para nós. E... nós uma para o outro!
E isto chega por causa desta música, que faz lembrar e sentir! AAB


Backbeat, the word was on the street
That the fire in your heart is out
I'm sure you've heard it all before
But you never really had a doubt
I don't believe that anybody
Feels the way I do about you now

And all the roads we have to walk are winding
And all the lights that lead us there are blinding
There are many things that I would like to say to you
But I don't know how

Because maybe
You're gonna be the one that saves me
And after all
You're my wonderwall

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Verdadeiro e genuíno



Quando se pensa que demos um passo em frente, vem o coração e diz:

"aahahah!! Querias... Olha o tem passado, olha o que construíste, olha o que fazias e o quanto isso te fazia feliz. Feliz com pouco sabes? Lembraste do milka? E da lua? Dos planos de viagens que queriam fazer? Dos acampamentos? dos filmes? E as músicas? E o gosto pelo cinema e filmes e séries? Achas mesmo que isso se apaga assim? Ó minha filha, isto que tiveste e construíste chama-se cumplicidade, amor entre pessoas que se completam e isso... isso é verdadeiro. E como bem sabes o que é verdadeiro nunca se vai. Tiveste piada... Esquece é a ideia de seguires em frente e esqueceres. O amor verdadeiro, aquele que dói e dá saudades, é para sempre. E sabes? Até podia dizer que lamento. Mas não lamento, porque dói, mas é verdadeiro e ainda te vai fazer muito feliz e nunca se vai apagar. Continua a olhar para a lua..."







sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Adequa-se :)









Caça sonhos... Adoro!





Olhar a lua







As coisas que se vão acontecendo connosco vão ganhando significado ao longo da vida. Adaptam-se ao que vivemos e ganham significados associados ao que somos nesse momento e ao que vivemos. Mas há coisas que são imutáveis, não se adaptam, não mudam, são inertes, fixas e eternas. Persistem ao longo do tempo, são teimosas e intransigentes. Por mais que andemos, vivemos, choremos ou sorrimos mantêm-se ad eternum. Por vezes essas coisas são do mais simples que há, pensamos nós. Porque a complexidade daquilo que vivemos está no significado que lhes atribuímos. Então, tornam-se assim complexas e dotadas dum imenso sentido e imensa importância sem darmos por isso.

Olhar a lua... Coisa normal, situação recorrente. Anoitece e se ela não estiver escondida é normal darmos de caras com aquela imensa luz branca e brilhante que ela teima em transmitir. Transmite igualmente paz, a vontade de lá ir e estar longe de tudo mas ao mesmo tempo perto. Mas e quando a viagem à lua é combinado com alguém como se um plano especial e possível se tratasse? Esse pensamento, essa viagem, esse momento de contemplação fica imediatamente comprometido. O significado está dado. E este é intemporal. A lua está lá, eu lembro exactamente o dia em que foi combinado lá irmos e nunca mais me esquecerei, nem nunca mais lhe atribuirei outro significado ou outro sentimento... porque este, será também para sempre. Eu sei que desaprendemos ou esquecemos como apreciar a lua e aquela luz e aquela paz, mas como a felicidade está nas pequenas coisas, acho que esquecemos também de como ser verdadeiramente felizes. Lembro agora das ultimas frases acompanhadas por lágrimas e vozes embargadas: "ao tempo que não aprecio a lua".

Mas uma certeza eu tenho, olharemos muitas vezes a lua e por vezes estaremos juntos nesse olhar sem sabermos. Sem sabermos estaremos juntos e os nossos olhares irão cruzar-se. E quem sabe, como por magia da lua, sejamos elucidados e voltemos a marcar um encontro lá... na lua! Por agora, olhamos juntos mas sós, nesta contradição que tem sido este esquecimento de ser verdadeiramente feliz.

P.S.: Não te esqueças de levar aquela bocadinho está bem? É que esse... esse é mais que teimoso e eterno! Porque como a lua, ele está lá todos os dias. É aquele bocadinho e basta!

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Perfect


O que caracteriza o meu dia, este momento da minha vida. Há imagens que falam por si e pequenas frases que dizem tanto! Incrível :)



sábado, 19 de outubro de 2013

Carta ao meu pesadelo (real)

Todos nós temos pesadelos. Enquanto dormimos normalmente, e depois acordamos assustados, com o coração acelerado ou com vontade de chorar. Mas depois há alturas que temos que nos deparar com pessoas reais, que são um pesadelo. Conseguem transmitir todos os sentimentos maus e conseguem encarnar personagens horríveis como monstros e ogres mal encarados e mal cheirosos, ou a morte até, negra e mal-encarada como os pesadelos são. Monstros na pele de um humano. Aqui vai:

Olá Pesadelo!
Então estás bonzinho? Sim, deves estar. Os pesadelos para serem felizes não precisam de muito, fazem o mais fácil, matam sonhos e fazem mal às pessoas por quem passam. Por isso, tenho certeza que estás bem e feliz, afinal ficas feliz com pouco - fazer mal aos outros. Ainda bem que te encontras de boa saúde!
Tenho a dizer-te Pesadelo, surpreendeste-me. Conseguiste torturar, humilhar, matar tanto (demais) em mim ou na minha vida. Dou-te os parabéns, afinal é essa a tua função e tu cumpriste a com mérito.

Mas como Pesadelo que és, és falso e para fazer todo esse mal bem feito, tinhas que te disfarçar e nisso gabo-te a actuação, foste falso o bastante para chegares de mansinho e depois atacares com força e sem piedade de tal forma cruel que conseguiste matar, provocaste a morte de muitas coisas. Tal e qual filme de terror, com direito a banda sonora e tudo (o teus gritos) e com um cenário negro e mórbido por trás - o passado incrivelmente tortuoso e cruel, afinal tu mostraste-te Pesadelo desde sempre, revelaste o teu potencial bem cedo... mas eu sou mesmo boa pessoa e uma idealista tentei ignorar os indícios de que eras de facto isso, um monstro em forma de gente. A forma de gente, interior de monstro, intenções de pesadelo.

Mas lamento Pesadelo, sei que fui tua vítima desde há muitos anos, anos a mais, mas está na altura de arranjares outros afazeres, tipo matares o teu monstro interior. Deves aproveitar esse teu dom de fazeres mal e fazeres algo de útil, como matares em ti esse teu monstro interior. Mas isso seria pedir-te demais, tu és fraco para mudanças. Forte para fazer mal e torturares pessoas, mas fraco para mudanças, pois tu Pesadelo fizeste sempre o mesmo mal... criatividade não é o teu forte. Compensas em maldade e crueldade, de facto.
Como bem reparaste, durante esta sincera carta, algumas palavras repetiram-se : tortura, crueldade, monstro. Um conjunto de palavras com conotação toda ela positiva que descrevem na perfeição o que és e o que conseguiste fazer. Cumpriste a tua função comigo, assustaste-me, fizeste-me ter medo, torturaste-me quando eu não conseguia acordar e queria, chorei com medo e de tristeza de não conseguir reagir nem fugir, prendeste-me de forma a que não me conseguisse soltar e torturaste-me... não ficaste pelo magoar ou provocar dor, tinhas que magoar durante muito tempo e lentamente. Provocaste angustia e tristeza devido às tuas ilusões com aparentes aproximações. Mas como os pesadelos durante o sono, tu Pesadelo cumpriste outra função... ACORDASTE-ME!

Mas eu continuo boa pessoa, e acredito na mudança e no aproveitamento das oportunidades que as pessoas têm depois de errarem... e com os pesadelos não é diferente! Vai Pesadelo, está na altura de ires, de te reencontrares e de quem sabe sofreres uma mutação qualquer que te mude desde o interior. E quando esse dia chegar, eu estarei a viver um sonho com o meu Sonho! E nunca te esqueças por favor, há coisas que têm que ser ditas para deixarmos ir, para que vás sem medos.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Certezas





Mais uma reviravolta. Mais uma mudança que não é bem uma mudança, porque é repetido. E na espiral da vida, há tanto que é repetido. A forma como a vivemos é que já não é repetida, porque reagimos com maturidade e como que se já estivéssemos vacinados contra determinada situação levando a uma imunidade artificial mas que funciona na perfeição e cumpre efectivamente a sua função, a de nos proteger contra a situação que aí vem.
Quando essa mudança apesar de temida é o que quero porque estava acomodada à situação anterior e apesar de me fazer feliz por momentos causava-me muitas incertezas do que viria a seguir... sei que a mudança era o melhor e que me faz estar bem! Pelo menos por agora... Sei que é apenas por agora, porque a situação que eu estava acomodada há-de voltar, mas diferente... com certezas! Com a certeza pelo menos que o que virá a seguir é melhor e que vou poder dar mais e melhor de mim, porque lá está, tenho a certeza!!!

Longe... mas sempre por perto! Naquele sítio, onde fica aquele bocadinho :)











domingo, 29 de setembro de 2013

Interrogação duma incógnita

Há alturas na vida que temos que tomar decisões. Ficamos divididos, entre tudo e coisa nenhuma. Por um lado temos o que parece certo à primeira impressão, depois racionalizamos. Ou seja, complicamos. Fazemos inúmeras perguntas, andamos às voltas em espiral ascendente que não nos leva a lado nenhum, a não ser voltar ao mesmo sítio de onde pensávamos ter partido. Se calhar nunca chegamos a partir de onde quer que seja e o único passo que demos foi ilusório e só andamos a cruzar pensamentos e a relacionar acontecimentos com sentimentos. Uma confusão pegada. Ou então saímos do mesmo sítio, permitimo-nos confrontar a situação e sair da zona de conforto, o que pode revelar alguma coragem, espírito critico e quem sabe algum crescimento. Mas de que me serve isso se não muda nada? A confusão continua instalada. Sair da minha zona de conforto e arriscar uma liberdade, permitir-me partir em direcção ao desconhecido com um único conhecimento presente - o de que sou capaz? Ou manter-me naquilo que quero por instantes mas que acredito que não me vai levar a lado nenhum, mas que é o que o meu coração manda fazer?
Fico na mesma, a espiral não se moveu, a indecisão permanece. E o racionalizar apenas me levou a racionalizar sobre que não devia racionalizar. Sem dúvida continuo a ser uma incógnita.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

O poder de um abraço






Eu amo abraços. Fazem-me bem, dão-me paz. Simplesmente acho que se não podem resolver os problemas, ajudam a atenuar e transmitem-me uma força enorme para os enfrentar.
E hoje é daqueles dias em que acho que o abraço podia me retirar este peso.



Faz sentido

Vi um filme do qual retirei a melhor expressão que alguma vez ouvi. A que melhor retrata o que somos, a sociedade que vivemos. Simplesmente bestial e adequada. Curta, directa e verdadeira.

"É fácil ser-se filósofo quando é o outro que tem a correr merda no lugar de sangue"
Trainspotting

Refere-se ao consumo de drogas, particularmente heroína. Mas esta é a verdade quando a problemática é outra. É fácil ser filósofo, moralista e outras coisas mais quando é o outro que tem um problema, quando é o outro que está na merda. 

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Com os meus botões desenho e deixo desenhar corações


Quem disse que um coração despedaçado não é bonito não sabe o quão rico e apaixonante é ter uma história. A nossa história, pequenos pedaços de momentos, pessoas e lugares.
Olhando para esta imagem, que na minha opinião é mesmo bonita, consigo ver um coração verdadeiro. O que não é um coração mais do que pequenos pedaços, mais pequenos e outros maiores consoante o significado, marca que nos deixam, com cores diferentes de acordo com as emoções que nos proporcionaram, ligados entre si e que juntos formam aquilo que somos? A mesma forma, com cores e tamanhos diferentes, formas diferentes com cores iguais, são pessoas diferentes que passam e deixam marcas semelhantes; pessoas parecidas que ficam mas que deixam marcas distintas; pessoas que passam em momentos diferentes deixando várias marcas. No final, fica a marca como que uma espécie de cicatriz. Um botão que vai contar uma história, que fica preso como que com uma linha que atravessa tempos e espaços, uma linha intemporal e que não se gasta, não rompe. Os botões estão ligados, presos criando a mais perfeita relação. Uma relação entre eles fascinante, dinâmica e harmoniosamente desequilibrada que despoletam em nós as melhores sensações. E assim, fica um coração desenhado, uma história contada... com botões e linhas de fantasia.

A Tristeza em ser Orgulhosamente Transmontano!

" A Nordeste de terras Lusas é possível encontrar uma das mais belas e encantadas regiões do nosso País: Trás-os-Montes, que melhor e tão descritivo nome, este solo sagrado não podia ter; por entre vales e serras, rios e ribeiros, florestas e touças, vilas e aldeias, esta terra esconde segredos e maravilhas… A gente, de olhar duro e rosto cansado, que de início pode ser mal-encarada e desconfiada, é forte e trabalhadora – o que se reflecte nos rostos queimados pelo Sol e nas mãos cheias de calos e bolhas – de uma astúcia e capacidades difíceis de rivalizar, de uma honestidade e transparência como no mundo não se encontra e de um amor pela tradição e pela terra que pisam que é capaz de, igualar o amor de uma mãe pelo filho. A terra é de uma riqueza inigualável! Das vinhas nos afluentes do Douro, à cereja da Terra Quente, passando pela castanha das frias serras, e as amarga amêndoa de Vila Flor, percorrendo o olival nos vale e chegando por fim aos figo, batata, centeio e aveia e tantos outros frutos secos, não esquecendo os verdejantes lameiros que tanto sustentam o gado que prima pela saúde e qualidade de seus produtos e carnes. Outrora foi assim, as serras que albergavam o temido lobo, o grande javali, a matreira raposa, o alegre cuco (e tantos outros que ficam por enumerar) e a astuta e dura gente, hoje são apenas desertos…a essência do nordeste transmontano encontra-se também em via de extinção. Esta essência, tudo aquilo que nos define, escoa-nos por entre as mãos, ou melhor, é-nos retirada brutamente; alguém nos rouba, digo eu! SIM! Roubam o pobremente rico e simples transmontano! Esses vigários, corruptos e ladrões tentam tomar aquilo que é nosso! Aquilo pelo qual tanto lutamos e tanto custou a erguer! Portugal nunca foi amigo daquilo e daqueles que são seus a Nordeste, e a crise já à muito que se encontra entre nós, no dia-a-dia, e não é só económica, é da gente também! O Desenvolvimento perdeu-se pelo Sul e tardiamente conseguiu passar o Marão e era Salazar que se encontrava no poleiro quando os caminhos-de-ferro floresceram e cresceram, originando, assim, a Linha do Tua, quando as escolas primárias surgiram nas pequenas localidades (tornando a educação não algo único e exclusivo dos ricos mas algo acessível, ainda que com dificuldade, aos filhos dos pobres) e quando umas poucas candeias se começaram a apagar, com a chegada da luz eléctrica. Contudo ainda o galo do poleiro findava de cantar e já o Transmontano estava a perder aquilo que tão dificilmente havia chegado. Hoje já não temos Linha do Tua! Desactivada e irrecuperável em certas áreas, submersas pela construção de barragens naquela bacia hidrográfica. E parece que mais querem construir, tanto no Tua como no Sabor…e para quê? Criar postos de trabalho? Trazer riquezas e benefício à população? Ou é tudo para perder campos agrícolas, paisagens magníficas e esplendorosas e em troca receber todos os meses uma factura da electricidade bastante mais taxada e cara? Encerram escolas, e os edifícios tão alusivos ao regime e à rigidez de outros tempos caem e degradam-se tornando-se cinzentos, sem crianças a correr e lições a ser ensinadas. Assim se perde o património do Estado e dos Municípios, e pior, assim se perdem memórias de
gerações. Os espaços recreativos e jovens são cada vez mais miragens, e aqueles que são mais que ilusões depressa se perdem. Até o cinema em Bragança nos conseguiram tirar…. A Fé? Perde-se pela falta de párocos e religiosos e, não corre pela rua da amargura porque, se há coisa que o transmontano sempre foi, é crente. Mesmo quando parecem estender-nos uma mão cheia, é para nos roubar, mais um bocadinho. Falo pois da A4, proposta pelo anterior governo: “Promoverá o crescimento económico”, “Espanha ficará assim, mais perto” diziam eles. E muito transmontanos juntavam vozes a estes que com tão deliciosa melodia nos aliciavam. Pois eu bem ia no “canto” do vigário senão tivessem eliminado ou diminuído todas as outras alternativas à auto-estrada, como era o IP4 e as estradas nacionais; se não quisessem portajar quase toda a extensão Vila Real-Bragança. Tudo para, pagar o tão grandioso projecto, feito à custa da falência de pequenas e médias empresas e, encher barrigas já de si fartas! Até as pessoas roubaram a esta terra a esta terra! Quantos transmontanos não abandonaram as suas casas e se aventuraram (e aventuram) no resto do país e do mundo? Quantos jovens pensam, hoje, em construir a sua vida na terra que os viu nascer? Tantos foram e são que actualmente se percorrem povoações inteiras sem ver uma alma, quando noutros tempos essas mesmas localidades se encontravam sobrepopuladas…. À falta de pior, até a dignidade nos tentam tirar…a comunicação social retracta a região transmontana como algum local muito pobre para se passar umas férias rurais, já que falta dinheiro para ir às Caraíbas ou outros destinos paradisíacos. Esforça-se por mostrar o velhinho a passear o burrinho, o menino da aldeia a alimentar os animais ou o pastor, que infelizmente não pôde estudar mais, a falar. Lembram-se de nós e do nosso recanto quando neva, e tudo porque o sulista não tem o privilégio de ter neve também. Secalhar, qualquer dia, também isso nos roubam. E interrogo-me: “Quando e como é que divulgam aquilo que de melhor à em Trás-os-Montes? Quando é que vão conseguir captar a verdadeira essência?”… E assim definha uma região: perde-se a gente, a cultura, os hábitos, as riquezas, o comércio, os serviços, as pequenas localidades, o património, a fauna e flora, a tradição e a juventude…. É com mágoa que se vê uma bela terra ficar à imagem da maioria da sua população, velha, enrugada, renegada, fraca, doente, deprimida e sem memória…onde está a essência transmontana? Aliás, alguém me pode dizer onde fica Trás-os-Montes? A tristeza de um orgulhoso transmontano, Tiago Rodrigues"

sábado, 14 de setembro de 2013

Passeando pela cidade

Ultimamente nos passeios que faço, mesmo muitas das vezes sendo curtos, reparo cada vez em coisas mais tristes. E não, não ando numa fase pessimista em que sobressai o que de mau existe. Mas, há situações que estão a tornar-se cada vez mais comuns, a pobreza e por consequência os pedintes na rua. Não é novidade para ninguém, são temas caros a toda gente. A crise, falta de verbas para isto e para aquilo, cortes aqui e acolá, défice, taxas de juro, desemprego. Palavras chave do dia-a-dia dum cidadão que bata com os olhos num jornal. Até as crianças começam a ter noção disto e até já se fala na ansiedade que esta conjuntura económica possa provocar numa criança afectando o seu desenvolvimento normal.
Reparei em duas situações que me marcaram muito, que me deixaram a pensar e a reflectir na sociedade que vivemos. Não se trata só de economia, nem de falta de dinheiro. Trata-se de falta de civismo, sensibilidade. Um individualismo que me assusta. A veia humana de muita gente perdeu-se algures no meio da ambição e egoísmo. Valores trocados, portanto. Pessoas que ignoram, criticam, respondem de modo arrogante e quase rosnam quais cães raivosos em cativeiro.
A primeira situação que vi, foi uma senhora paraplégica que se encontrava a pedir numa rua bastante movimentada. Na cara da senhora vi sofrimento e nas lágrimas que lhe caíam desespero, as mãos seguravam a cabeça e conversava com uma senhora mas sem lhe olhar nos olhos. Saí dali a pensar o que lhe terá acontecido, onde estava a família e a restante rede de apoio, porque chorava tanto ela, teria fome, como iria ela arranjar emprego, teria filhos... a minha cabeça não parou. Entretanto voltei a passar por lá com uma amiga e já lhe tinha contado o que tinha visto e quando voltamos a ver a senhora ficamos uns momentos em silêncio, absorvidas em pensamentos que se traduziam em questões com e sem lógica. Atenção, mencionei que era paraplégica não por uma questão de descriminação positiva, mas porque imagino que para uma pessoa com todas as capacidades arranjar emprego é difícil, imagino para alguém que tem alguma limitação. Não é pena, é constatar um facto.
Outra situação foi precisamente ontem, passeava eu com a minha sobrinha, era só eu e ela no meio de tanta gente e duma cidade movimentada. Eu fazia palhaçadas e expressões estranhas, ela ria-se, dava aqueles gritinhos de euforia e gaguejava. De repente, reparo num senhor, apático, com barba por fazer, olhar triste, deambulando pelas ruas, face cheia de pequenas feridas, pontos de sangue seco por toda a cara, aspecto descuidado e mal vestido. E ouço: "aquilo é um antro de doenças". Possivelmente era verdade que o senhor estava infectado com alguma doença. Mas, aquilo não é um objecto, não é uma sanita infectada duma casa de banho pública, aquilo é aquela pessoa. É uma pessoa, tem uma história caramba. Seja ela qual for. Se me meteu impressão? Sim, mas só consegui pensar que provavelmente aquele senhor tinha uma história triste, provavelmente não iria viver muito tempo e encontrava-se por ali sozinho.
Estas histórias fizeram-me lembrar uma aula que eu tive no segundo ano da faculdade da disciplina denominada Dinâmicas de grupo(grande disciplina) onde tínhamos que partilhar uma frase, expressão, música, filme que tivesse um significado para nós, alguém falou numa frase que a ideia geral era "alcatifar o nosso mundo" da forma que conseguirmos, para quem caminha descalço. E, só consigo pensar que posso fazer mais, que tenho que fazer mais, que não faço nada por estas pessoas. Mas não sei por onde começar, mas vou descobrir...

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Não são coisas, são pessoas...

o melhor do locais onde nos sentimos bem. Porque são elas que nos fazem sentir bem.

Ontem fui ao cinema (adoro!) ver a o filme que todos falam, que tantas boas opiniões tenho ouvido, o Gaiola Dourada. Adorei. Adorei tudo naquele filme e pós filme. Caracteriza tão bem aquilo que nós portugueses somos, como se fossemos dotados de uma alma lusitana intrínseca em cada um de nós que nos remete quase de imediato para as palavras saudade, honestidade e generosidade. Sei que essa alma por vezes perde-se e é substituída por uma alma menos portuguesa e mais endiabrada, mas isso faz de nós um país em que tem carácter para compensar essas lacunas.
Ontem, quando a luzes se acenderam no fim do filme, eu vi pessoas contentes, pessoas que saíram do filme não pensativas, não caladas ou a criticarem. Mas a sorrirem. Aqueles sorrisos de quem pensa´com orgulho "é mesmo isto, nós somos assim.". Eu própria saí assim, pensei assim em cada situação do filme em que me identificava ou identificava alguém de família.
Portugal mais do que futebol, mais do fado, mais do que praia e uma extensa costa, mais do que crise politica e económica, mais do que corrupção (almas pouco lusitanas), Portugal é, como qualquer sítio, as pessoas que dele fazem parte. Portugal é a mensagem de saudade do fado, é o vibrar com o futebol que é uma amostra da intensidade com que as pessoas vivem, riem ou falam.

domingo, 28 de julho de 2013

Desabafo


Encontrei esta imagem num facebook de uma amiga. E gostei. Gostei muito. E identifiquei-me muito com a parte "é querer proteger o outro de qualquer mal", isto é tão verdade. Já o disse. Já disse "queria-te proteger como se fosses um bebé e não deixar nada de mal te acontecer". E era verdade. E continua a ser. E sempre assim será porque "o amor não é sempre entendimento, mas a busca dele. O amor é uma tentativa eterna". Não poderia concordar mais, porque se for fugaz, efémero ou temporário, não é definitivamente amor.
Este pequeno texto está simplesmente perfeito!

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Da minha (falta) de paciência

Há coisas que me dão cabo dos nervos. Que fazem subir em mim uma tensão, uma vontade de começar a gritar com toda gente e perguntar "mas vocês não estão a perceber mesmo?". E eu que até me considero uma pessoa calma e serena. Mas quando explico uma coisa duas, três, quatro vezes, a minha paciência decide que é melhor ir pregar a outras freguesias e abandona-me. Essa estúpida, podia ser mais persistente comigo e ficar a fazer-me companhia quando preciso dela. Mas ela parece que tem vontade própria e tira folgas sem me pedir autorização. Eu penso que tenho que a controlar e manter-lhe a rédea curta, que é como quem diz, tenho que a manter junto de mim para que em troca da paciência venham problemas. Paciência de férias, significa problemas a full time. E como vou pagar a estes dois operários que me fazem querer gritar com toda gente? E um deles veio trabalhar sem anúncio prévio ou entrevista- os problemas. É que depois ainda tenho que pagar indemnizações pelos gritos e o saldo não fica de todo positivo. O melhor é manter ou a paciência por perto ou a minha pessoa longe de gente que me enerva profundamente.

Essas ditas pessoas, não sei se não percebem ou não querem perceber. Essas pessoas parecem que ficaram no tempo dos dinossauros e não entendem coisas que hoje em dia são normais. Essas pessoas não querem assumir os problemas e depois mascaram/camuflam os problemas com preconceitos do século passado. E se eu disser que isso já não é assim, porque não é mesmo, não é algo que falo de cor ou para não estar calada, é algo que está escrito cientificamente e cada vez é mais aceite, as pessoas olham para mim como se eu fosse um ave rara, um habitante de outro planeta ou que bati com a cabeça em algum sitio e os hemisférios trocaram de lado e as sinapses ficaram interrompidas como se houvesse um engarrafamento em hora de ponta. Incomoda-me solenemente quando eu tenho a certeza de uma coisa e tento defender calmamente e as pessoas calam-se para não serem mal-educadas e ficam a olhar para mim com ar "coitada, é melhor deixa-la falar, que não sabe o que diz. Se contrariamos ela não se cala" Pois, não me calo mesmo. Pelo menos, ate a minha paciência ir de férias. Sou chata e persistente, no entanto, lá acabo por desistir e pensar que melhor que me ignorem e me achem estranha do que ser ignorante e recusar perceber as coisas como elas são. Mas se eu estou errada, na opinião infundada delas, porque não contra-argumentam? Isso irrita-me. Não é por mal, mas gosto que as pessoas me expliquem porque acham que estou errada, porquê que elas estão certas. Não é errado isto pois não? E isto, é quando eu tenho a certeza que tenho razão em determinado assunto, porque há outras situações em que me passo completamente sem razão, mas em que a discussão não é um tema ou assunto de senso comum, mas sim algo pessoal, aí tenho noção que mesmo sem razão, posso exagerar. Ó preguiçosa paciência, volta se não eu fico tipo vulcão a entrar em erupção!

segunda-feira, 22 de julho de 2013

...


Há simplesmente coisas que sabemos que serão para sempre. Por mais mil anos. São poucas as certezas que podemos ter assim. Mas é certo, que será por mais mil anos. 



domingo, 21 de julho de 2013

Coisas...

Fico feliz com pouco. Muito pouco. Há coisas que me reconfortam e me fazem feliz tão facilmente.



Despedidas que demoram. Em que alguém volta atrás


Aceitar as diferenças e rir com elas e delas. Achar-lhe piada.


Miminhos...




E mais miminhos!




=)



Sem dúvida, o que eu mais adoro. Comer e ver filmes ou séries. Então comer piza, chocolate, gomas ou batatas fritas a ver um filme com boa companhia, é perfeito!


São, todas estas coisas e outras "pequenas" coisas que me fazem feliz! Isto tudo, com as pessoas certas do meu lado. Porque são as pessoas que no fundo importam e fazem com que os momentos sejam especiais e divertidos. Com isto, fui e sou feliz!

I hate to go...









O adeus vem de dentro. Não é dizer apenas. Dizer é fácil, demasiado fácil nos tempos que correm, porque o adeus que não é sentido por quem o diz, é quase um desabafo de que basta mas que não é definitivo. Um verdadeiro adeus, a despedida tem que ser sentida como quando se sente saudades de alguém, como sentir um friozinho que não sabemos bem de onde vem. As saudades, essas gajas agridoces são consequência, por vezes, do adeus. A despedida tem várias consequências, em nós e nos outros, como em todas as atitudes que temos, embora não nos lembremos disso na maioria das situações.

Hoje disse adeus. Não sei se o senti, mas mesmo sentindo algo próximo disso, sei que não é definitivo. Mas é um adeus definitivo à pessoa que eu era com quem me despedi. Porque o adeus não tem que ser feito apenas a pessoas ou a coisas, pode ser a nós próprios. Nunca mais serei a mesma. A dor e a mágoa transformam-nos. Hoje fui transformada porque assim o quiseram. Sei que me despedi, disse adeus e até sempre, desejei felicidades e fui sincera. Mas tenho noção que não sou pessoa de guardar ressentimentos, depois dos problemas falados e muito bem falados e de fazer todas as questões, sou pessoa para não mudar, para continuar igual e não alterar o meu comportamento. Sou ate capaz de esquecer a minha mágoa e tentar reconfortar quem me magoa se eu achar que se sente mal com o que fez. Não sou forte. Não ignoro o sofrimento dos outros, talvez ignore o meu mais facilmente, e isto não é definitivamente bom em determinadas alturas.

Por isso, não sei se foi definitivo, se quero que seja. Mas sei que fui desrespeitada. Sei que não tiveram por mim a mesma consideração que eu teria. Posto isto, há que me despedir e reformular a maneira como reajo com a pessoa em questão e isso tem que ser definitivamente, porque mudar temporariamente já mudei tantas vezes que lhe perdi a conta. E nisto, tenho que ser mais assertiva e guardar um bocadinho de mágoa durante algum tempo, o tempo que demore a habituar-me à ideia que essa pessoa não tem por mim a consideração e o respeito que eu lhe tenho. E, sem dúvida, que deveria ter. Mas se não tem, também não terá mais de mim aquilo que teve ate hoje - amizade, presença permanente, ajuda, palavras de força e compreensão, momentos de risos e cumplicidade, momentos de estupidez e momentos sérios. Poderá contar comigo caso precise e sempre assim será. Mas só isso. O problema, é eu ter a certeza que precisa mais do que realmente pensa, acho que até se pode dizer que precisa sempre (e não, não falo de dependência) só que a pessoa não sabe ou ainda não teve tempo nem espaço para perceber. Porque eu, nunca lhe guardei qualquer tipo de mágoa e portanto nunca sentiu a minha falta tendo em conta a pessoa que sou e o que faço, porque fiz sempre sem qualquer alteração. Mas hoje, disse adeus. Hoje, senti que tinha um limite. Hoje, transformei-me. Só e apenas, porque a dor e a mágoa transforma. Então, adeus aquilo que eu sou com esse alguém.

(Ainda assim, AAB!)

sexta-feira, 19 de julho de 2013

E tudo se recompõe!

Por vezes andamos, corremos, pulamos, voltamos a correr, tentamos ganhar folgo e paramos; depois voltamos a correr como se não houvesse qualquer esforço da nossa parte, como se as pernas não doessem nem o peso se começasse a sentir. Corremos, corremos, ora mais devagar, ora com mais velocidade. Não conhecemos o caminho, não conseguimos ver para além do horizonte nem ver depois das curvas. Só sabemos que o caminho tem buracos, poças de água ou lama, pedras e paralelos. Corremos por nós, pelos outros ou sem sabermos ao correr pelos outros estamos a correr contra nós. Respiramos, ganhamos força e deixamos o peso desaparecer. Ás vezes parece só que andamos em círculos, não vemos objectivos serem alcançados. Mas hoje, sei que corri e cansei-me, corri contra mim mas sempre por mim. Custou, doeu, pensei em desistir. Mas  posso afirmar com a maior certeza que consegui, que valeu a pena e valeu todos os nervos e ansiedades. O esforço compensa, sem sombra de dúvida. Por vezes, ficar para trás na corrida que é a vida, não quer dizer ficar literalmente para trás, significa que estamos a ganhar tempo para nos recompormos dos obstáculos passados e ganhar força para enfrentarmos e lutarmos pelas metas que estão para vir. Isto para dizer que consegui, estou a um passo de estar em Mestrado daquele que é o curso que eu sempre quis. Valeu a pena!!

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Não quero

Não quero crescer, mas também não quero ficar sempre na mesma. Não quero não ter histórias para contar. Não quero ser chata. Não quero que a minha história não se resuma a nada. Não quero que as minhas amigas emigrem. Não quero que a minha marca seja negativa em algumas pessoas. Não quero ter rancor de ninguém. Não quero só pensar em mim. Não ser uma adulta revoltada e magoada. Não quero ser impaciente. Não quero ter vontade de esganar alguém. Não quero ter falta de amor próprio. Não quero comer cenoura cozida. Não quero dias de tempestade e chuva. Não quero fugir às decisões. Não quero ser inculta. Não quero pensar só nos outros, mas também não quero pensar só em mim. Não quero ter medo de ir. Mas também não quero dizer que não tive a coragem de ficar. Não quero apanhar escaldões. Não quero mudar, mas não quero estar como estou. Não quero falar demais. Não quero praia com nevoeiro e/ou vento. Não quero ser recordada como uma interrogação. Não quero deixar nenhum livro a meio. Não quero ser demasiado observadora. Não quero conversas inúteis. Não quero que as calças à boca de sino entrem na moda. Não quero "amizades" falsas nem preocupações dissimuladas. Não quero ter que estacionar em sítios complicados. Não quero discussões. Não quero ilusões. Não quero que as noticias sobre a conjuntura politica sejam sempre iguais - nada de novo e uma grande porcaria. Não quero esperanças. Não quero a realidade. Não quero perceber o que percebo. Não quero ver o que há para ver. Não quero insistir mas também não quero desistir. Não quero não ter memória de coisas boas. Não quero ter memória de coisas más. Não quero cruzar-me com más pessoas. Não quero tornar-me coleccionadora de nada. Não quero discutir. Não quero ter pensamentos negativos. Não quero ter medos. Não quero dias de muita chuva. Não quero ficar farta de pessoas. Não quero ideias/opiniões politicamente correctas. Não quero que o raio das riscas continuem na moda. Não quero ser enganada. Não quero dormir nunca com almofada. Não quero nunca me tornar maníaca das dietas. Não quero que me mostrem o que não são. Não quero comer arroz de favas. Não quero falar e falar e não deixar os outros participar. Não quero ter que viver num apartamento. Não quero ser viciada em tecnologia e afins. Não quero ver pessoas que não gosto em dias maus. Não quero ficar muito tempo sem ver pessoas que gosto. Não quero um dia ter que dizer que fui fraca. Não quero ter apenas isto para contar um dia mais tarde!


Sei o que não quero. Sei que tenho que virar a vida de pernas para o ar ás vezes. Sei que a vida é tudo o que escrevi, tem muitas coisas que não quero e outras que quero. Mas sei que apesar de saber o que não quero... quero muito viver!!!

terça-feira, 16 de julho de 2013

A marca do R.


Hoje, falei com um sorriso, sobre um amigo. Com a mãe dele. Seria algo muito normal se esse meu amigo não tivesse falecido há cerca de 3 anos, duas semanas antes de completar 20 anos. Falei das suas traquinices, do anjo que ele tirou de casa para me oferecer na minha festa de anos, aquela que ele saiu às escondidas de casa porque estava de castigo. Falamos de quando ele me ia chamar a casa à hora de almoço para irmos juntos para a escola e as conversas que tínhamos ao portão. Falamos como ele andava a planear a festa dos seus 20 anos. Lembramos como ele era de sorriso fácil e era dos pouco que falava, passados anos, para toda gente da turma do liceu. Foi bom falar e relembra. Foi horrível presenciar o sofrimento daquela mãe. E eu que evitava falar com ela, dizia apenas olá ou bom dia, com medo de não saber que dizer. 
Depois desta conversa só me apetece dizer "foda-se a vida é tão curta". É o que toda gente diz, é usual ouvir isto, mas nem sempre sentimos isto. É uma frase feita mas nem sempre nos lembramos do quanto isto pode ser verdade. E hoje, eu relembrei que a vida é puta, cruel e que pode acabar hoje, amanhã ou quem sabe na próxima semana. Na vida nem tudo é mau, há tantas coisas boas. A morte é uma característica da vida, faz parte dela. E no meio do sofrimento que assisti, foi tão bom falar dele, foi tão bom ter coisas para lembrar, foi bom sentir saudades. Foi bom ter feito parte da minha vida e deixar-me a sua marca. Obrigada R. (:


segunda-feira, 15 de julho de 2013

A aventura de nos carregarmos



Nós carregamos um coração, os sentimentos. Carregamos com força e coragem. Determinação até. Nós sabemos para onde o queremos carregar. Queremos levar connosco, em todo o nosso caminho até que a vida o permita. Ou até que as forças se esgotem. Se não se esgotarem e a vida permitir, ate pode ser para sempre. Queremos ter a certeza que aquele coração foi levado ate ao limite, que fizemos tudo o que podíamos com ele, que o levamos a todos os lugares que conhecíamos. Mostrando o lugar mais sagrado do mundo - nós próprios. Mostramos todo um mundo novo ao coração e com ele construirmos um novo mundo, o nosso novo mundo, aquele que vamos percorrendo e conhecendo na companhia do coração. Novo, porque sem ele o mundo seria visto de outra forma, de uma forma mais desenxabida, com menos coração e mais agilidade em caminhar. Mas para quê a agilidade de quem caminha sozinho, ou seja, sem companhia do coração. 
Transportar um coração não é fácil. Requer paciência e força. Coragem para enfrentar as consequências de carregar um coração connosco. Saber que se cairmos, o coração pode cair e magoar-se, e aí temos que que nos levantar, por vezes com mazelas, olharmos para o coração caído no chão e buscar nesse olhar a vontade e força para o voltar a erguer e tratar como se fizesse parte de nós. Se essa coragem não existir, então a queda foi a maneira da vida dizer que não vai permitir mais levarmos esse coração connosco, ou pelo menos da forma que ate aí ele era. Pode ter perdido algumas partes, como se ficasse amputado, mas que no decorrer do caminho vai sendo curado, cicatrizando e (re)nascem as peças que ate então estavam perdidas. Transportar os sentimentos e o coração é uma constante reconstrução. Reconstruimos peças do coração, reconstruimos pedaços de nós. Nós somos no fundo o coração que carregamos e a nosso história em conjunto.
Deixar as partes para trás, é deixar um bocadinho de nós, mas é dar a oportunidade de deixarmos um espaço, que inicialmente é uma cicatriz, a ser preenchido. Podemos voltar ao sítio onde deixamos aquele pedaço, porque na vida há retrocessos e há caminhos que são circulares, e podemos portanto encontrar aquele dito pedaço com muito melhor aspecto e que ate pode combinar muito melhor com as novos tons do nosso coração (sem cicatrizes) e voltar a ficar em sintonia. Nós e aquele que afinal continua a ser um pedaço de nós. Só temos que o reintegrar, com coragem. Se assim não for, somos de qualquer forma um coração preenchido, cheio de história e com caminhos a percorrer. Colhendo novos pedaços e por vezes deixamos cair outros. Mas assim nos formamos constantemente. Assim carregamos um coração - com coragem e determinação. Carregar um coração é uma aventura... Viver e ser é carregar um coração, o nosso!