sexta-feira, 21 de junho de 2013

Pessoas Loucas

O texto que se segue foi escrito por um amigo meu. Que por sinal, escreve muito bem. Ele é louco e eu gosto que o meu amigo seja assim! Tresloucado. E agradeço muito teres escrito o texto e agradeço mais ainda por fazeres parte da minha vida (de loucos)!

O mundo é dos loucos.
Quem nunca viu o louco correr pela rua, balbuciando dementemente ladainhas indecifráveis, e tremendo compulsivamente de uma forma sobrenatural? Existe alguém que não tenha passado pela idosa maluca, que passeia um “Nenuco”, e que por vezes se senta numa esplanada e lê Pessoa, Eça e Júlio Dinis ao próprio boneco? Eu já…E se há cidade representativa de toda essa demência é a Invicta. O Porto é louco!
A arquitectura é louca, as ruas são loucas, o trânsito é louco, os transportes são loucos, os serviços também, as próprias pessoas são completamente desvairadas! Deus! Um verdadeiro hospício! Mas interrogo-me: Quem hoje não é louco? Houve alguém, em tantas páginas de História que não fosse completamente tolo? Ouvi falar de um, pitagoricamente, doido que passava os seus dias a esgaravatar, no chão, infindáveis fórmulas; Sei de um alienado italiano que dementemente se lembrou de dizer que a Terra girava em torno do Sol, e que estava longe de ser, o Centro do Universo (olhai o maluquinho…nós não sermos o centro de tudo que existe. Há com cada coisa!); Um delirante Sir lembrou-se de olhar para o céu, e passar a vida a contemplar a Lua, interrogando-se porque ali estaria, brilhante no firmamento, e tudo porque lhe caiu uma maçã na cabeça; E outro! Um, de tal forma evoluído amalucado que trauteava que somos “filhos dos macacos”! Li, ainda, acerca de outro genialmente insano alemão que, de entre muitas coisas se lembrou de postular que a energia tem uma massa associada. Mas os loucos têm nomes: Pitágoras; Galileu; Newton; Darwin; Einstein. E loucamente construíram aquele que hoje é o nosso desatinado mundo. De uma forma insana, o Homem foi mais longe, desenfreadamente conquistou a terra, lançou-se ao mar, conquistou os céus, e de uma forma doida, sonhou mais alto, muito mais alto, e ascendeu ao Espaço… Secalhar todos somos um pouco perturbados; penso que a loucura não seja nada mais que a reunião de tudo aquilo que faz de nós o que somos – a razão, o sonho, o sentimento… Se assim for, a demência não é senão o estado mais puro e genuíno que o ser humano pode assumir, algo transcendente. E assim sendo a mais verdadeira…Alguém já viu um louco mentir? O louco acredita, conceptualiza a própria existência…cria. Justifico assim o facto de me rodear apenas de totais mentecaptos – “Os maluquinhos entendem-se bem” – mais que um dito, um dogma! Procuro nos meus amigos algo que os distinga, os torne diferentes e assim se revelem especiais: Um amigo é honesto, divertido, atencioso, bom ouvinte, de confiança, preocupado, sincero, defensor… Um bom amigo berra, exaltasse, insulta-te, insurge com a sua opinião, diz-te coisas que não queres ouvir, canta, dança, caí contigo múltiplas vezes…Um amigo é um
completo doido varrido. Amigo é alguém que de forma única tem uma loucura equiparável à tua, sintonizando-se de tal forma contigo, que, insanamente, tu vês nele, não o seu melhor ou pior, mas as tuas falhas e as tuas conquistas… O mundo é demente,
A vida desvairada, As Pessoas loucas, Que excitante delírio!

T.R

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Carta à cacatua da Era passada

Olá Cacatua
Há quanto tempo não nos encontramos... Tenho saudades tuas sabes? Ás vezes dou por mim a pensar o quanto eras livre, não havia nada que te prendesse, respostas sempre na ponta da língua sem qualquer tipo de avaliação da situação. Dizias e estava dito. Tenho saudades de quando eras independente de todas as aves e seres que estavam junto a ti. Voavas em bando, mas voavas num caminho só teu, que só tu sabias para onde te levava. Sabias para onde querias ir. Tinhas os teus próprios sonhos e desejos bem delineados.  Nada te prendia, nada te impedia de voar. Não eras muito de arriscar nem de quebrar regras como os outros. Porque tudo o que querias não quebrava qualquer convenção, não era um teste aos limites, eram apenas sonhos de quem voa. Diziam que eras uma idealista. E eu gostava quando eras assim. Lunática talvez, com gostos por vezes tão diferentes mas tão iguais. Lembraste quando te perguntaram qual era a tua essência? Tu pensaste, pensaste e chegaste à conclusão que a tua essência era não lutares para ser diferente, era seres igual e aceitares. O que tu não sabias é que pelos céus que voaste eras tão diferente. Confundias-te com o tom alaranjado do céu no pôr-do-sol, tal era a tua cor. A tua cor era  forte tal como tu, viva como a tua vontade de voar. Todos temos uma cor de acordo com os nossos desejos, personalidade e vontades. A tua era intensa, tinha carácter e marcava presença. Mesmo no meio da tua timidez. Ás vezes o céu ficava enublado, mas tu não perdias a cor. Tu não! Sabias que por mais mudanças que existissem, nuvens ou tempestades tu ias saber lidar com isso, porque tinhas os teus sonhos. Vivos e intensos. Eras tu e um céu imenso à tua frente. Sabias e reconhecias a importância do teu bando, mas não mostravas muito, sentias com paixão mas não querias que soubessem. Era como se não te quisesses prender a ninguém. Sabias no fundo que mostrar sentimentos quebrava uma barreira, podiam te conhecer melhor. Conhecer as tuas virtudes e defeitos. Mas tu só querias parecer forte.
Entretanto de mansinho, no meio duma viagem com o bando mostraram-te como mostrar sentimentos ou dares mais de ti não era deixares de ser forte, mas contares com a força de alguém. Como se as cores dos outros fossem também tuas, e o teu laranja forte deles. O que não te disseram foi que isso te ia tornar mais vulnerável, porque o sofrimento dos outros ia ser teu também. Mas as cores estavam repartidas, não havia nada a fazer a não ser contemplar o arco-íris que se ia formando.
Reconstruiste os teus sonhos, eras boa nisso. Adaptaste-te ás cores que recebeste e aprendeste mais sobre o voar em bando. Percebeste que estavas mais vulnerável, mas que o que era a tua fraqueza podia ser onde ias buscar toda a inspiração para sonhar e a vontade de voar. A tua fraqueza era também a tua maior força.
Agora que penso, tornaste-te mais vulnerável ou mais forte? Se calhar não tenho saudades tuas... se calhar não vi que és a mesma cheia de vontade de viver e voar, não reparei que o laranja continua aí forte e intenso. Se calhar ando distraída com o facto de não te terem dito que podias te tornar mais vulnerável e não percebi que afinal só ficaste com mais cor, com outras cores também! Ando ocupada a observar as pegadas que deixei, que acho que não reparei no imenso céu que ainda tens para percorrer. Oh Cacatua, afinal ainda aí estás. Desculpa, mas afinal não tenho reparado em ti. E não tenho saudades tuas. Mas prometo que vou reparar melhor nas tuas cores sim? Vá, agora vai lá voar que eu vou contemplar o arco-íris. O nosso arco-íris!

Mil bicadas*
Cacatua

Ora pois...


Concordo. Pode ser melhor ou pode ser pior! Mas o mesmo nunca é... e ainda bem. As rupturas sejam com que tipo de pessoas for pode servir para se conhecerem melhor, para se afastarem e criarem novos e melhores caminhos. Ou pode ser para se reencontrarem depois de se conhecerem melhor. Comigo já aconteceu ambas as situações. A desilusão serviu para perceber que nunca pude contar com aquela pessoa. Ou então para eu a entender melhor e fortalecer o que tinha com ela. Todas as situações valem a pena e ensinam nos alguma coisa.
Cacatua

Dos meus sonhos


Adoro, mas é que adoro mesmo fazer e receber surpresas. Algo simples, básico. Mas que seja bonito na sua simplicidade.
Tenho o sonho de fazer uma festa surpresa aos meus pais. De encher a casa cheia de família e amigos, oferecer-lhes uma viagem, decoração pela casa, bolos e entradas feitas por mim com todo carinho. Mostrar-lhes o quanto eles são importantes para todos nós e o quanto fizeram por nós é reconhecido. Mostrar a marca que deixaram em nós! Mas não seria uma surpresa só assim, tinha que ser uma dia inteiro cheio de pequenas surpresas. Um bilhete, uma flor para a minha mãe. Um bilhetinho para o pai e um bilhete para um jogo de futebol. Eles merecem e eu ia adorar poder proporcionar isto um dia!

Também gosto de receber surpresas. E para mim, um bilhete inesperado ou um convite sem contar fazem-me feliz! Mas gosto de caprichar nas que eu faço. E esta surpresa um dia terei de a fazer.

É que não entendo

Há coisas que não entendo. Por mais que tente.

Não entendo porquê que anda tudo com o símbolo do infinito. Ora é em publicações do facebook, ora é em tatuagens ou em declarações de amizade ou amor. Tudo é infinito. Pena que é uma "moda" e que vai passar. Mas num mundo é que até as relações, as pessoas são mais descartáveis, onde tudo é vivido apenas pelo momento, o que é infinito afinal? Tudo deixa de ter valor tão facilmente, à mínima desavença as relações têm um fim, algumas começam já com o fim à vista porque interessa o momento. Tudo é efémero e fugaz. Ou quase tudo vá. Nada é remendado, nada é remediado. É só e simplesmente descartado. E posto isto, o que é infinito? o quê que as pessoas desejam que seja para sempre? Mais, o quê que as pessoas fazem para que seja para sempre?

Outra coisa que não entendo é esta música 


Onde está o romantismo que ir ao Porto de Leixões ver os navios a levantar ferro? Se me dissessem " anda comigo ao porto de Leixões ver os navios a levantar ferro" acho que respondia que preferia ir ali à obra da esquina ver os senhores da construção civil levantar massa que podia ser que ainda ouvisse uns piropos que me fizessem rir com ou sem originalidade.
E ver os automóveis a rasgar nas curvas e a queimar pneus? Muito romântico, sem dúvida. O sonho de qualquer mulher. "Olha vamos ali ver o rally da Falperra e não me peças mais nada durante uns meses que isto é o mais romântico que há e ainda vens de lá com um perfume novo, o aroma a pneu queimado é a ultima tendência."
E porque raio vender a viola? é que não entendo. O mais romântico que podia fazer com tudo o que se diz nesta música era usar a viola e fazer uma serenata. Ok, não é original, mas é romântico. Já não se fazem rapazes como antigamente.


Outra coisa, e ultima que por agora não entendo, é a febre e o gosto pela Hello Kitty! Não tem imagem porque custa até vê-la! Juro que por mais que tente não entendo o gosto por uma gata sem boca. O raio da gata não tem boca. Que piada isso tem? E é feia que se farta. Peço desculpa a quem gosta, mas eu não consigo achar piada. Quando se dá essa gata às crianças e elas estão a aprender onde está os olhinhos, o nariz, a boca... perguntamos "então onde está a boquinha da Kitty?" Pois, não está. A criança vai crescer a achar que tem um peluche deficiente. Por isso, se algum dia tiver filhas ou sobrinhas esqueçam a Kitty e Pucas e Bettys. Nada disso. A Minnie é que é. Bonita, feminina, tem um relacionamento sério há anos, e além disso ajuda os amigos dela e entende o Donald (coisa que é do caraças). Tem princípios e é decente! Dá 1000 a 0 à gata sem boca.

Beijinho*
Cacatua

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Quero muito





Voltar aqui! Sentir a água gelada, areia nos pés e vento fresquinho na cara...

Pozinhos de perlimpimpim!



A  vida está cheia de pozinhos de perlimpimpim! Cheia de magia. Acontecimentos que sem razão aparente, momentos inesperados que nos fazem bem e não percebemos muito bem porquê. Simplesmente fazem. Chegam de mansinho, devagarinho, em passos suaves e nos acariciam de leve. Não nos assustam, chegam sem entendermos o porquê mas fazem nos rir. Simplesmente nos acariciam e dão origem aos sorrisos mais genuínos.
O sorriso dos meus meninos, as asneiras que dizem, dizerem que gostam de mim, dar-lhes colo são momentos de magia na minha vida! Aparecem e fazem explodir em mim a maior alegria. Descobrir uma música nova e ouvir vezes sem conta, ler as letras e descobrir que têm alguma coisa a ver connosco, é tão bom! Ter uma boa conversa com alguém, descobrirmos novas coisas nessa conversa, rir alto até as lágrimas caírem. O colo dos meus pais, o beijinho deles quando chego a casa e chamarem-me menina. Um café na companhia de uma amiga. Tomar café com a minha mãe depois da nossa caminhada. Reencontrar pessoas que não víamos há muito tempo. São coisas que me fazem bem, que me dão paz, que tento saborear ao máximo. São os meus pozinhos de perlimpimpim. Por isso, sim, eu acredito em magia! Na magia das pessoas, dos momentos que nos proporcionam. Na magia dos sorrisos, da música e das mensagens que estas transmitem. Na magia dos lugares, do vento a bater na cara e do mar a bater na areia. São todas estas "pequenas" coisas que não sabemos de onde vêm, mas que nos fazem felizes, nem que seja por breves momentos. E sem darmos conta, às vezes nos piores momentos da vida, elas aparecem para mostrar que temos a capacidade de sorrir e que basta olhar à volta... isto só pode ser magia!

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Preencher

No outro dia, uma amiga minha que anda mal de amores pergunta-me como se eu fosse o maior exemplo:
- O que te preenche?
- ãh?
- O que fazes para te sentires preenchida? Comida não é.
- Música! Ouço música.


Não consigo passar um dia sem ouvir música! E foi só a primeira coisa que consegui pensar quando me perguntou o que me preenchia. E sim, isso preenche-me muito.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Coisas dos dias de hoje



Sei por familiares e amigos próximos, que hoje em dia para alguns rapazes, basta isto. Provocar, mostrar disponibilidade e um corpo minimamente apresentável, e que também saiba dizer algumas palavras, porque frases complexas dispensam-se que isso só complica o processo e se falarem sabem que nem a provocações lhes valem (viva o auto-conhecimento). Minimamente basta, não interessam pintas ou sinais em sítios estranhos(para ti amiguinho P), expressões rudes e pouco amistosas, muito menos a inteligência, ou quer dizer a falta dela, não interessam os valores e princípios trocados (ou será que para os dias que correm estão no lugar certo?) e tão-pouco a maturidade que isso é uma chatice e complica também o processo de comunicação e isso não é o que se quer. E o sentido de humor? Ah esse quer-se básico, sem ironias que isso também dá trabalho a construir, umas "caralhadas" e umas piadas feitas bastam! Quer-se fácil, aceitável e para ontem. Não interessa nada para além da disponibilidade e a facilidade com que se predispõem a determinadas tipos de diálogos. Tendo em conta que as frases complexas não são o seu forte, está-se mesmo a ver que tipo de dialogo acontece - um dialogo mais físico e pobre digamos. Mas este também é importante. Mas sem frases complexas e cultura para desenvolver e desafiar o outro, com um dialogo físico fácil (quem não gosta de um mistério ou um desafio?) o que fica depois desses diálogos? que memórias? uma pinta ou sinal num sitio estranho, uma cara rude e um cabelo desgrenhado. Consigo imaginar as conversas um dia mais tarde, tão vazias quanto os seus diálogos físicos cheios de nada e com pouco para recordar.

Será algo do género :
- Olha lembraste de quando fomos ao sitio X?
- Naquele em que também dialogamos?
- Acho que sim e que até ficaste de trombas. Mas isso não acontece sempre?
- O quê? o dialogo ou as trombas?
- As duas.
E riem-se os dois como se tivessem feito ao maior loucura de sempre, quando não se lembram de sítios nem momentos diferentes. O que não sabem é que se riem do vazio que sentem para não deprimirem ao pensarem que a vida se resume basicamente ao pobre do dialogo. Mas depois claro que ficou de trombas, porque se não não era a mesma coisa e nem ia sentir-se importante por ignora-lo. Porque pessoas assim, não lhes basta olhar ao espelho, ouvir um elogio para se sentirem bem, precisam que corram atrás delas, mas não muito porque ser exigente dá trabalho e requer inteligência. Mas isso é porque sabem o valor que no fundo têm, porque se exigem muito nem os diálogos lhe valem. O auto-conhecimento é uma coisa do caraças...

Mas eu pergunto, são as mulheres de hoje em dia (há muitas excepções) "fáceis" e disponíveis ou serão os homens pouco exigentes e que têm os critérios de aceitação de uma mulher muito em baixo?
Eu estou a tentar observar para ter uma opinião!

Não sei se já disse, mas o auto-conhecimento é fenomenal!

Dos meus sonhos


Não sei se sou só eu, mas eu tenho uma lista de sonhos. Escritos em papel. Papel esse amarrotado e com alguns anos. Carregado de simbolismo e sentidos. Mas com sonhos verdadeiros, planos que quero cumprir e com objectivos bem delineados. Os meus sonhos são simples, mas tenho a certeza que me ia fazer imensamente feliz. Para algumas pessoas deve ser a coisa mais simples e mais banal. Se calhar para mim não é porque gosto de dar sentido às coisas e tenho um bocado a mania que as coisas têm que ser especiais, até as mais simples. Acho que assim os momentos, objectos e pessoas ficam associados a coisas boas e guardados num lugar especial. Um tanto ao quanto parvo para uns, romântico para outros.

O sonho que falo hoje e que me faz sorrir é simplesmente andar de bicicleta na companhia do Cacatuo, num dia de Verão ao final de tarde. Numas férias onde levássemos apenas a "parafernália" de material de acampamento, as bicicletas e boa disposição. Algumas coisas deste sonho foram cumpridas já, mas sem bicicletas, o que faz toda a diferença. Por isso, este sonho ainda está por cumprir.

Cacatua

domingo, 9 de junho de 2013

Mentir por bem


Já sei o que é mentir com boa intenção. Sei o que significa "amar é saber deixar ir". São coisas que aprendi há relativamente pouco tempo. Melhor não tivesse que as aprender. Mas todas as aprendizagens são necessárias para nos tornarmos aquilo que somos e para delinear o nosso percurso. É assim que encaro estas aprendizagens.
Menti para deixar ir. Não que se eu não mentisse não fosse na mesma, mas pelo menos foi com mais força. E eu sei que ser forte não é a sua maior qualidade. Menti tão bem que quase fiquei orgulhosa com a minha encenação. Fui buscar a minha força e determinação e convenci-me que tinha que ser assim, tinha que lhe mostrar que há muito já devia ter ido e que não era mais uma pessoa necessária na minha vida. Tudo mentira. Sempre foi necessária, aliás é e sempre foi era essencial. Custou, mas amar é saber deixar ir quando assim tem que ser. E eu deixei, porque se não tentar não vai saber como é tentar estar longe. E tem que tentar e ir. Porque amar é não só deixar ir, mas ajudar a seguir em frente. Acho que ajudei!

sábado, 8 de junho de 2013

História de dois Totós que se cacatucam #1

Esta história tem anos, acho que aconteceu na outra vida. Na vida onde não há tristezas, dor ou sofrimento. Naquela vida onde todos são príncipes e princesas. Só há felicidade. Felicidade. Felicidade daquela que irradia e contagia. Que parece tão fácil de obter. Que parece que nunca foi de outra forma. Felicidade que pertencia e que não tinha por onde fugir. E não tinha, é verdade. Porque a felicidade foi real, na outra vida, mas real. Foi deles, foi verdade e foi vivida intensamente. Pertenceu-lhes e por isso não fugiu. A felicidade ficou com eles, durante anos, na outra vida. No tempo onde todos eram príncipes e princesas. Esse tempo longínquo onde a felicidade parece (só parece) fácil.
Esta é a  minha história, a minha e daquele que viveu comigo na outra Era, a dos príncipes e princesas. Onde   eu era a Princesa Cacatua Tete e ele o Príncipe Cacatuo Toto.
Como Cacatuas que éramos, fomos livres e voamos. Voamos para longe. longe de nós e do outro mundo onde tudo era mais difícil. Porque neste mundo tínhamos nos um ao outro e por isso era fácil (só mais tarde soubemos). Mas muitas vezes, voamos só em sonhos. Sonhos, que tal como nós eram cheios de cores intensas e variadas. Quase pareciam ter sabor, cheiro. Quase palpável de tão real que nos parecia. E assim, de sonho em sonho fomos voando e amando. Voamos e descobrimos novos horizontes, novos cheiros e sabores, novas paisagens. Deixamos as nossas pegadas nos céus que percorremos e marcamos aqueles que por nós passaram porque nunca antes tinha sido visto um casal de Cacatuas Totós.
Voamos, um com o outro, um pelo outro, um para o outro. Parecia fácil voar, era só sonhar. Era só falar em sonhar. Mas não foi assim tão fácil. No céu há tempestades, ventos que contrariam o caminho. Mas que nunca contrariam a vontade de voar e amar.
Mas o que interessa é que a felicidade foi deles. Pertenceu-lhes e por isso não fugiu.

Cacatua

*não sei se o Cacatuco soubesse que assim lhe chamo se passava ou se desmancha a rir. Provavelmente a segunda ou não fosse ele Totó de riso fácil.
** Esta foi uma espécie de introdução à nossa história. Mais "episódios" mais claros vão ser escritos.

Coisas da Cacatulândia #1

 Devo dizer antes de contar o que aconteceu, que vivo num meio rural onde a população que predomina são os idosos.

Ia eu e a minha mãe em mais uma das nossas caminhadas, depois de jantar. Pelo caminho, encontramos várias pessoas de idade que acompanhadas pelo sua amistosa lancheira e afins, aparentavam vir de um excursão. À nossa frente, na rua, iam três velhotes todos "pimpões" na conversa. E o que ouvi foi:

A pergunta a C- Então foste no carro dois?
C- ...
A- Foste no carro dois?
C-...
B- Olha ele perguntou se foste no carro dois.
C- Tu é que foste no carro de bois. Carro de bois o caralh*!

Não pude deixar de achar imensa piada. Mas para lá vamos como diz a minha mãe.
E são estas coisas que nos fazem gargalhar sem contar. Que encontre mais velhotes assim no caminho mais vezes!
Como dá para perceber, aqui não há papas na língua. Como se costuma dizer aqui "curto e grosso".

Cacatua




Reconciliação com a vida

Este texto já foi publicado no blog de uma grande amiga minha, a C. que entretanto apagou o blog. Foi escrito por mim em jeito de resposta à pergunta dela "como estás agora?". Fica aqui, como forma de conhecerem um bocadinho o modo como penso e lido com a vida. Há quem diga que a vida é uma puta*, e é. Mas há maneiras de saber lidar com ela.
Não se assustem já com o tamanho enooome do texto. Acontecerá esporadicamente.


Estes dias de dúvida não têm sido fáceis e sentir que perdi o controlo da minha vida faz-me sentir pior, faz-me sentir que perdi o que sou, o que ainda piora. Sinto-me revoltada comigo própria e com a (in)justiça da vida. Não sei, mas estou a aprender que a vida não é justa e muito menos fácil. A vida tem uma maneira pouco pedagógica de me ensinar, tenho que lhe mostrar que os estudos sobre psicologia da aprendizagem têm métodos mais eficazes e menos custosos para o aluno E apesar de acreditar que tudo que vai um dia volta, aprendi que o retorno não é de todo imediato e nem sempre quando precisamos dele. Um teste à minha paciência portanto. Acho que estou a passar na prova. Sim, custa. Mas vai passar porque eu mereço e porque dei coisas boas a quem por mim passou, então a vida mesmo sendo menos boa comigo agora há-de se remediar e fazer-me sorrir! Já me fez sorrir e valer a pena e eu gostei muito, portanto nós vamos estreitar relações (eu e a vida) e vamos resolver estas nossas coisas. Mas como pessoas entendidas no indivíduo e na sua complexidade, sabemos que as relações são algo que tem muito que se lhe diga e nem sempre são fáceis de se estabelecer e a forma como resolvemos os seus problemas não é de maneira nenhuma linear. Por isso, tenho consciência que a minha relação com a vida vai demorar mais um bocadinho (o teste à minha paciência ainda não acabou mas também gosto de desafios) a ficar mais equilibrada. Talvez o tempo que demorar a remediar-se comigo, até lá vou dando o que posso - à vida e às pessoas que dela fizerem parte. Não porque sou interesseira e quero receber tudo de volta, mas porque para mim faz sentido assim e no meio disto ao fazer alguém sorrir eu também vou sorrir(estou a ser interesseira na mesma). Se nesta relação com a vida, coisas boas vierem... vou gostar outra vez muito e vou saber aproveita-las. E sei que as vou merecer e o gosto ao saborear o que me fizer feliz vai ser especial. Gosto de coisas especiais sabes? As pessoas são especiais, as relações também. E eu e a vida temos uma relação especial... sim, é isso. Uma relação especial e sei que um dia, depois dela se remediar eu vou-lhe agradecer por ela me testar e desafiar e aí eu vou surpreende-la com o sorriso que ela me tem roubado com os seus métodos pouco pedagógicos. Vai ficar orgulhosa por ver que eu aprendi bem a lição e superei com paciência e força! A vida sabe que eu gosto dela... porque tenho pessoas e relações especiais e porque em todo o tempo que vivi fui quase sempre feliz. Vês? já estou a dar o primeiro passo para ficar bem com a vida, alguém tem que ceder em algum momento em todas as relações... e com a vida não é diferente!!

*a autora deste blog não é púdica. Mas é educada. E alguns palavrões não são mais que expressão mais directa e real do que sentimos e pensamos, certo?

Cacatua

Descolagem da Cacatua


Bem-vindos ao meu cantinho! É meu primeiro voo na blogosfera enquanto blogger. Espero deixar por aqui as minhas pegadas, que não são mais que palavras. Palavras soltas, com sentido outras nem tanto. Palavras do coração e será difícil serem palavras da razão. Palavras que vão me acompanhando e descrevendo o meu voo, o voo de uma cacatua livre que voa com o coração, levada por instintos. Instintos livres e desprovidos de racionalidade, instintos que são como o vento. Então voo com o vento.
 Ora muito bem, sejam muito bem-vindos a bordo!

Bom fim-de-semana!

Cacatua

(recomendações e sugestões são muito bem vindas. porque eu não percebo patavina deste "mundo")