sexta-feira, 21 de junho de 2013

Pessoas Loucas

O texto que se segue foi escrito por um amigo meu. Que por sinal, escreve muito bem. Ele é louco e eu gosto que o meu amigo seja assim! Tresloucado. E agradeço muito teres escrito o texto e agradeço mais ainda por fazeres parte da minha vida (de loucos)!

O mundo é dos loucos.
Quem nunca viu o louco correr pela rua, balbuciando dementemente ladainhas indecifráveis, e tremendo compulsivamente de uma forma sobrenatural? Existe alguém que não tenha passado pela idosa maluca, que passeia um “Nenuco”, e que por vezes se senta numa esplanada e lê Pessoa, Eça e Júlio Dinis ao próprio boneco? Eu já…E se há cidade representativa de toda essa demência é a Invicta. O Porto é louco!
A arquitectura é louca, as ruas são loucas, o trânsito é louco, os transportes são loucos, os serviços também, as próprias pessoas são completamente desvairadas! Deus! Um verdadeiro hospício! Mas interrogo-me: Quem hoje não é louco? Houve alguém, em tantas páginas de História que não fosse completamente tolo? Ouvi falar de um, pitagoricamente, doido que passava os seus dias a esgaravatar, no chão, infindáveis fórmulas; Sei de um alienado italiano que dementemente se lembrou de dizer que a Terra girava em torno do Sol, e que estava longe de ser, o Centro do Universo (olhai o maluquinho…nós não sermos o centro de tudo que existe. Há com cada coisa!); Um delirante Sir lembrou-se de olhar para o céu, e passar a vida a contemplar a Lua, interrogando-se porque ali estaria, brilhante no firmamento, e tudo porque lhe caiu uma maçã na cabeça; E outro! Um, de tal forma evoluído amalucado que trauteava que somos “filhos dos macacos”! Li, ainda, acerca de outro genialmente insano alemão que, de entre muitas coisas se lembrou de postular que a energia tem uma massa associada. Mas os loucos têm nomes: Pitágoras; Galileu; Newton; Darwin; Einstein. E loucamente construíram aquele que hoje é o nosso desatinado mundo. De uma forma insana, o Homem foi mais longe, desenfreadamente conquistou a terra, lançou-se ao mar, conquistou os céus, e de uma forma doida, sonhou mais alto, muito mais alto, e ascendeu ao Espaço… Secalhar todos somos um pouco perturbados; penso que a loucura não seja nada mais que a reunião de tudo aquilo que faz de nós o que somos – a razão, o sonho, o sentimento… Se assim for, a demência não é senão o estado mais puro e genuíno que o ser humano pode assumir, algo transcendente. E assim sendo a mais verdadeira…Alguém já viu um louco mentir? O louco acredita, conceptualiza a própria existência…cria. Justifico assim o facto de me rodear apenas de totais mentecaptos – “Os maluquinhos entendem-se bem” – mais que um dito, um dogma! Procuro nos meus amigos algo que os distinga, os torne diferentes e assim se revelem especiais: Um amigo é honesto, divertido, atencioso, bom ouvinte, de confiança, preocupado, sincero, defensor… Um bom amigo berra, exaltasse, insulta-te, insurge com a sua opinião, diz-te coisas que não queres ouvir, canta, dança, caí contigo múltiplas vezes…Um amigo é um
completo doido varrido. Amigo é alguém que de forma única tem uma loucura equiparável à tua, sintonizando-se de tal forma contigo, que, insanamente, tu vês nele, não o seu melhor ou pior, mas as tuas falhas e as tuas conquistas… O mundo é demente,
A vida desvairada, As Pessoas loucas, Que excitante delírio!

T.R

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