domingo, 29 de setembro de 2013

Interrogação duma incógnita

Há alturas na vida que temos que tomar decisões. Ficamos divididos, entre tudo e coisa nenhuma. Por um lado temos o que parece certo à primeira impressão, depois racionalizamos. Ou seja, complicamos. Fazemos inúmeras perguntas, andamos às voltas em espiral ascendente que não nos leva a lado nenhum, a não ser voltar ao mesmo sítio de onde pensávamos ter partido. Se calhar nunca chegamos a partir de onde quer que seja e o único passo que demos foi ilusório e só andamos a cruzar pensamentos e a relacionar acontecimentos com sentimentos. Uma confusão pegada. Ou então saímos do mesmo sítio, permitimo-nos confrontar a situação e sair da zona de conforto, o que pode revelar alguma coragem, espírito critico e quem sabe algum crescimento. Mas de que me serve isso se não muda nada? A confusão continua instalada. Sair da minha zona de conforto e arriscar uma liberdade, permitir-me partir em direcção ao desconhecido com um único conhecimento presente - o de que sou capaz? Ou manter-me naquilo que quero por instantes mas que acredito que não me vai levar a lado nenhum, mas que é o que o meu coração manda fazer?
Fico na mesma, a espiral não se moveu, a indecisão permanece. E o racionalizar apenas me levou a racionalizar sobre que não devia racionalizar. Sem dúvida continuo a ser uma incógnita.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

O poder de um abraço






Eu amo abraços. Fazem-me bem, dão-me paz. Simplesmente acho que se não podem resolver os problemas, ajudam a atenuar e transmitem-me uma força enorme para os enfrentar.
E hoje é daqueles dias em que acho que o abraço podia me retirar este peso.



Faz sentido

Vi um filme do qual retirei a melhor expressão que alguma vez ouvi. A que melhor retrata o que somos, a sociedade que vivemos. Simplesmente bestial e adequada. Curta, directa e verdadeira.

"É fácil ser-se filósofo quando é o outro que tem a correr merda no lugar de sangue"
Trainspotting

Refere-se ao consumo de drogas, particularmente heroína. Mas esta é a verdade quando a problemática é outra. É fácil ser filósofo, moralista e outras coisas mais quando é o outro que tem um problema, quando é o outro que está na merda. 

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Com os meus botões desenho e deixo desenhar corações


Quem disse que um coração despedaçado não é bonito não sabe o quão rico e apaixonante é ter uma história. A nossa história, pequenos pedaços de momentos, pessoas e lugares.
Olhando para esta imagem, que na minha opinião é mesmo bonita, consigo ver um coração verdadeiro. O que não é um coração mais do que pequenos pedaços, mais pequenos e outros maiores consoante o significado, marca que nos deixam, com cores diferentes de acordo com as emoções que nos proporcionaram, ligados entre si e que juntos formam aquilo que somos? A mesma forma, com cores e tamanhos diferentes, formas diferentes com cores iguais, são pessoas diferentes que passam e deixam marcas semelhantes; pessoas parecidas que ficam mas que deixam marcas distintas; pessoas que passam em momentos diferentes deixando várias marcas. No final, fica a marca como que uma espécie de cicatriz. Um botão que vai contar uma história, que fica preso como que com uma linha que atravessa tempos e espaços, uma linha intemporal e que não se gasta, não rompe. Os botões estão ligados, presos criando a mais perfeita relação. Uma relação entre eles fascinante, dinâmica e harmoniosamente desequilibrada que despoletam em nós as melhores sensações. E assim, fica um coração desenhado, uma história contada... com botões e linhas de fantasia.

A Tristeza em ser Orgulhosamente Transmontano!

" A Nordeste de terras Lusas é possível encontrar uma das mais belas e encantadas regiões do nosso País: Trás-os-Montes, que melhor e tão descritivo nome, este solo sagrado não podia ter; por entre vales e serras, rios e ribeiros, florestas e touças, vilas e aldeias, esta terra esconde segredos e maravilhas… A gente, de olhar duro e rosto cansado, que de início pode ser mal-encarada e desconfiada, é forte e trabalhadora – o que se reflecte nos rostos queimados pelo Sol e nas mãos cheias de calos e bolhas – de uma astúcia e capacidades difíceis de rivalizar, de uma honestidade e transparência como no mundo não se encontra e de um amor pela tradição e pela terra que pisam que é capaz de, igualar o amor de uma mãe pelo filho. A terra é de uma riqueza inigualável! Das vinhas nos afluentes do Douro, à cereja da Terra Quente, passando pela castanha das frias serras, e as amarga amêndoa de Vila Flor, percorrendo o olival nos vale e chegando por fim aos figo, batata, centeio e aveia e tantos outros frutos secos, não esquecendo os verdejantes lameiros que tanto sustentam o gado que prima pela saúde e qualidade de seus produtos e carnes. Outrora foi assim, as serras que albergavam o temido lobo, o grande javali, a matreira raposa, o alegre cuco (e tantos outros que ficam por enumerar) e a astuta e dura gente, hoje são apenas desertos…a essência do nordeste transmontano encontra-se também em via de extinção. Esta essência, tudo aquilo que nos define, escoa-nos por entre as mãos, ou melhor, é-nos retirada brutamente; alguém nos rouba, digo eu! SIM! Roubam o pobremente rico e simples transmontano! Esses vigários, corruptos e ladrões tentam tomar aquilo que é nosso! Aquilo pelo qual tanto lutamos e tanto custou a erguer! Portugal nunca foi amigo daquilo e daqueles que são seus a Nordeste, e a crise já à muito que se encontra entre nós, no dia-a-dia, e não é só económica, é da gente também! O Desenvolvimento perdeu-se pelo Sul e tardiamente conseguiu passar o Marão e era Salazar que se encontrava no poleiro quando os caminhos-de-ferro floresceram e cresceram, originando, assim, a Linha do Tua, quando as escolas primárias surgiram nas pequenas localidades (tornando a educação não algo único e exclusivo dos ricos mas algo acessível, ainda que com dificuldade, aos filhos dos pobres) e quando umas poucas candeias se começaram a apagar, com a chegada da luz eléctrica. Contudo ainda o galo do poleiro findava de cantar e já o Transmontano estava a perder aquilo que tão dificilmente havia chegado. Hoje já não temos Linha do Tua! Desactivada e irrecuperável em certas áreas, submersas pela construção de barragens naquela bacia hidrográfica. E parece que mais querem construir, tanto no Tua como no Sabor…e para quê? Criar postos de trabalho? Trazer riquezas e benefício à população? Ou é tudo para perder campos agrícolas, paisagens magníficas e esplendorosas e em troca receber todos os meses uma factura da electricidade bastante mais taxada e cara? Encerram escolas, e os edifícios tão alusivos ao regime e à rigidez de outros tempos caem e degradam-se tornando-se cinzentos, sem crianças a correr e lições a ser ensinadas. Assim se perde o património do Estado e dos Municípios, e pior, assim se perdem memórias de
gerações. Os espaços recreativos e jovens são cada vez mais miragens, e aqueles que são mais que ilusões depressa se perdem. Até o cinema em Bragança nos conseguiram tirar…. A Fé? Perde-se pela falta de párocos e religiosos e, não corre pela rua da amargura porque, se há coisa que o transmontano sempre foi, é crente. Mesmo quando parecem estender-nos uma mão cheia, é para nos roubar, mais um bocadinho. Falo pois da A4, proposta pelo anterior governo: “Promoverá o crescimento económico”, “Espanha ficará assim, mais perto” diziam eles. E muito transmontanos juntavam vozes a estes que com tão deliciosa melodia nos aliciavam. Pois eu bem ia no “canto” do vigário senão tivessem eliminado ou diminuído todas as outras alternativas à auto-estrada, como era o IP4 e as estradas nacionais; se não quisessem portajar quase toda a extensão Vila Real-Bragança. Tudo para, pagar o tão grandioso projecto, feito à custa da falência de pequenas e médias empresas e, encher barrigas já de si fartas! Até as pessoas roubaram a esta terra a esta terra! Quantos transmontanos não abandonaram as suas casas e se aventuraram (e aventuram) no resto do país e do mundo? Quantos jovens pensam, hoje, em construir a sua vida na terra que os viu nascer? Tantos foram e são que actualmente se percorrem povoações inteiras sem ver uma alma, quando noutros tempos essas mesmas localidades se encontravam sobrepopuladas…. À falta de pior, até a dignidade nos tentam tirar…a comunicação social retracta a região transmontana como algum local muito pobre para se passar umas férias rurais, já que falta dinheiro para ir às Caraíbas ou outros destinos paradisíacos. Esforça-se por mostrar o velhinho a passear o burrinho, o menino da aldeia a alimentar os animais ou o pastor, que infelizmente não pôde estudar mais, a falar. Lembram-se de nós e do nosso recanto quando neva, e tudo porque o sulista não tem o privilégio de ter neve também. Secalhar, qualquer dia, também isso nos roubam. E interrogo-me: “Quando e como é que divulgam aquilo que de melhor à em Trás-os-Montes? Quando é que vão conseguir captar a verdadeira essência?”… E assim definha uma região: perde-se a gente, a cultura, os hábitos, as riquezas, o comércio, os serviços, as pequenas localidades, o património, a fauna e flora, a tradição e a juventude…. É com mágoa que se vê uma bela terra ficar à imagem da maioria da sua população, velha, enrugada, renegada, fraca, doente, deprimida e sem memória…onde está a essência transmontana? Aliás, alguém me pode dizer onde fica Trás-os-Montes? A tristeza de um orgulhoso transmontano, Tiago Rodrigues"

sábado, 14 de setembro de 2013

Passeando pela cidade

Ultimamente nos passeios que faço, mesmo muitas das vezes sendo curtos, reparo cada vez em coisas mais tristes. E não, não ando numa fase pessimista em que sobressai o que de mau existe. Mas, há situações que estão a tornar-se cada vez mais comuns, a pobreza e por consequência os pedintes na rua. Não é novidade para ninguém, são temas caros a toda gente. A crise, falta de verbas para isto e para aquilo, cortes aqui e acolá, défice, taxas de juro, desemprego. Palavras chave do dia-a-dia dum cidadão que bata com os olhos num jornal. Até as crianças começam a ter noção disto e até já se fala na ansiedade que esta conjuntura económica possa provocar numa criança afectando o seu desenvolvimento normal.
Reparei em duas situações que me marcaram muito, que me deixaram a pensar e a reflectir na sociedade que vivemos. Não se trata só de economia, nem de falta de dinheiro. Trata-se de falta de civismo, sensibilidade. Um individualismo que me assusta. A veia humana de muita gente perdeu-se algures no meio da ambição e egoísmo. Valores trocados, portanto. Pessoas que ignoram, criticam, respondem de modo arrogante e quase rosnam quais cães raivosos em cativeiro.
A primeira situação que vi, foi uma senhora paraplégica que se encontrava a pedir numa rua bastante movimentada. Na cara da senhora vi sofrimento e nas lágrimas que lhe caíam desespero, as mãos seguravam a cabeça e conversava com uma senhora mas sem lhe olhar nos olhos. Saí dali a pensar o que lhe terá acontecido, onde estava a família e a restante rede de apoio, porque chorava tanto ela, teria fome, como iria ela arranjar emprego, teria filhos... a minha cabeça não parou. Entretanto voltei a passar por lá com uma amiga e já lhe tinha contado o que tinha visto e quando voltamos a ver a senhora ficamos uns momentos em silêncio, absorvidas em pensamentos que se traduziam em questões com e sem lógica. Atenção, mencionei que era paraplégica não por uma questão de descriminação positiva, mas porque imagino que para uma pessoa com todas as capacidades arranjar emprego é difícil, imagino para alguém que tem alguma limitação. Não é pena, é constatar um facto.
Outra situação foi precisamente ontem, passeava eu com a minha sobrinha, era só eu e ela no meio de tanta gente e duma cidade movimentada. Eu fazia palhaçadas e expressões estranhas, ela ria-se, dava aqueles gritinhos de euforia e gaguejava. De repente, reparo num senhor, apático, com barba por fazer, olhar triste, deambulando pelas ruas, face cheia de pequenas feridas, pontos de sangue seco por toda a cara, aspecto descuidado e mal vestido. E ouço: "aquilo é um antro de doenças". Possivelmente era verdade que o senhor estava infectado com alguma doença. Mas, aquilo não é um objecto, não é uma sanita infectada duma casa de banho pública, aquilo é aquela pessoa. É uma pessoa, tem uma história caramba. Seja ela qual for. Se me meteu impressão? Sim, mas só consegui pensar que provavelmente aquele senhor tinha uma história triste, provavelmente não iria viver muito tempo e encontrava-se por ali sozinho.
Estas histórias fizeram-me lembrar uma aula que eu tive no segundo ano da faculdade da disciplina denominada Dinâmicas de grupo(grande disciplina) onde tínhamos que partilhar uma frase, expressão, música, filme que tivesse um significado para nós, alguém falou numa frase que a ideia geral era "alcatifar o nosso mundo" da forma que conseguirmos, para quem caminha descalço. E, só consigo pensar que posso fazer mais, que tenho que fazer mais, que não faço nada por estas pessoas. Mas não sei por onde começar, mas vou descobrir...