sábado, 19 de outubro de 2013

Carta ao meu pesadelo (real)

Todos nós temos pesadelos. Enquanto dormimos normalmente, e depois acordamos assustados, com o coração acelerado ou com vontade de chorar. Mas depois há alturas que temos que nos deparar com pessoas reais, que são um pesadelo. Conseguem transmitir todos os sentimentos maus e conseguem encarnar personagens horríveis como monstros e ogres mal encarados e mal cheirosos, ou a morte até, negra e mal-encarada como os pesadelos são. Monstros na pele de um humano. Aqui vai:

Olá Pesadelo!
Então estás bonzinho? Sim, deves estar. Os pesadelos para serem felizes não precisam de muito, fazem o mais fácil, matam sonhos e fazem mal às pessoas por quem passam. Por isso, tenho certeza que estás bem e feliz, afinal ficas feliz com pouco - fazer mal aos outros. Ainda bem que te encontras de boa saúde!
Tenho a dizer-te Pesadelo, surpreendeste-me. Conseguiste torturar, humilhar, matar tanto (demais) em mim ou na minha vida. Dou-te os parabéns, afinal é essa a tua função e tu cumpriste a com mérito.

Mas como Pesadelo que és, és falso e para fazer todo esse mal bem feito, tinhas que te disfarçar e nisso gabo-te a actuação, foste falso o bastante para chegares de mansinho e depois atacares com força e sem piedade de tal forma cruel que conseguiste matar, provocaste a morte de muitas coisas. Tal e qual filme de terror, com direito a banda sonora e tudo (o teus gritos) e com um cenário negro e mórbido por trás - o passado incrivelmente tortuoso e cruel, afinal tu mostraste-te Pesadelo desde sempre, revelaste o teu potencial bem cedo... mas eu sou mesmo boa pessoa e uma idealista tentei ignorar os indícios de que eras de facto isso, um monstro em forma de gente. A forma de gente, interior de monstro, intenções de pesadelo.

Mas lamento Pesadelo, sei que fui tua vítima desde há muitos anos, anos a mais, mas está na altura de arranjares outros afazeres, tipo matares o teu monstro interior. Deves aproveitar esse teu dom de fazeres mal e fazeres algo de útil, como matares em ti esse teu monstro interior. Mas isso seria pedir-te demais, tu és fraco para mudanças. Forte para fazer mal e torturares pessoas, mas fraco para mudanças, pois tu Pesadelo fizeste sempre o mesmo mal... criatividade não é o teu forte. Compensas em maldade e crueldade, de facto.
Como bem reparaste, durante esta sincera carta, algumas palavras repetiram-se : tortura, crueldade, monstro. Um conjunto de palavras com conotação toda ela positiva que descrevem na perfeição o que és e o que conseguiste fazer. Cumpriste a tua função comigo, assustaste-me, fizeste-me ter medo, torturaste-me quando eu não conseguia acordar e queria, chorei com medo e de tristeza de não conseguir reagir nem fugir, prendeste-me de forma a que não me conseguisse soltar e torturaste-me... não ficaste pelo magoar ou provocar dor, tinhas que magoar durante muito tempo e lentamente. Provocaste angustia e tristeza devido às tuas ilusões com aparentes aproximações. Mas como os pesadelos durante o sono, tu Pesadelo cumpriste outra função... ACORDASTE-ME!

Mas eu continuo boa pessoa, e acredito na mudança e no aproveitamento das oportunidades que as pessoas têm depois de errarem... e com os pesadelos não é diferente! Vai Pesadelo, está na altura de ires, de te reencontrares e de quem sabe sofreres uma mutação qualquer que te mude desde o interior. E quando esse dia chegar, eu estarei a viver um sonho com o meu Sonho! E nunca te esqueças por favor, há coisas que têm que ser ditas para deixarmos ir, para que vás sem medos.

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