sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Olhar a lua







As coisas que se vão acontecendo connosco vão ganhando significado ao longo da vida. Adaptam-se ao que vivemos e ganham significados associados ao que somos nesse momento e ao que vivemos. Mas há coisas que são imutáveis, não se adaptam, não mudam, são inertes, fixas e eternas. Persistem ao longo do tempo, são teimosas e intransigentes. Por mais que andemos, vivemos, choremos ou sorrimos mantêm-se ad eternum. Por vezes essas coisas são do mais simples que há, pensamos nós. Porque a complexidade daquilo que vivemos está no significado que lhes atribuímos. Então, tornam-se assim complexas e dotadas dum imenso sentido e imensa importância sem darmos por isso.

Olhar a lua... Coisa normal, situação recorrente. Anoitece e se ela não estiver escondida é normal darmos de caras com aquela imensa luz branca e brilhante que ela teima em transmitir. Transmite igualmente paz, a vontade de lá ir e estar longe de tudo mas ao mesmo tempo perto. Mas e quando a viagem à lua é combinado com alguém como se um plano especial e possível se tratasse? Esse pensamento, essa viagem, esse momento de contemplação fica imediatamente comprometido. O significado está dado. E este é intemporal. A lua está lá, eu lembro exactamente o dia em que foi combinado lá irmos e nunca mais me esquecerei, nem nunca mais lhe atribuirei outro significado ou outro sentimento... porque este, será também para sempre. Eu sei que desaprendemos ou esquecemos como apreciar a lua e aquela luz e aquela paz, mas como a felicidade está nas pequenas coisas, acho que esquecemos também de como ser verdadeiramente felizes. Lembro agora das ultimas frases acompanhadas por lágrimas e vozes embargadas: "ao tempo que não aprecio a lua".

Mas uma certeza eu tenho, olharemos muitas vezes a lua e por vezes estaremos juntos nesse olhar sem sabermos. Sem sabermos estaremos juntos e os nossos olhares irão cruzar-se. E quem sabe, como por magia da lua, sejamos elucidados e voltemos a marcar um encontro lá... na lua! Por agora, olhamos juntos mas sós, nesta contradição que tem sido este esquecimento de ser verdadeiramente feliz.

P.S.: Não te esqueças de levar aquela bocadinho está bem? É que esse... esse é mais que teimoso e eterno! Porque como a lua, ele está lá todos os dias. É aquele bocadinho e basta!

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