sábado, 25 de janeiro de 2014

Praxe(s)

Ora bem, muito se tem falado de Praxe e praxes (letra maiúscula e minúscula não é por acaso, como em Praxe nada é por acaso). As opiniões dividem-se entre os revoltados praxistas que nem sempre defendem, da melhor forma, aquilo que dizem praticar/exercer - a Praxe; os indivíduos anti-praxe com opiniões fundamentadas e educação ao defender a sua posição; os que não sabem que dizer mas nestas alturas até é giro mandar uns bitaites e mostrar a revolta que está ali a fervilhar sem saberem muito bem do que falam, e por fim, aqueles que são praxistas e que aproveitam esta tragédia para (re)pensar a sua posição e o que fazem ou pensam da Praxe, e nesta situação, sei que algo pode evoluir.

As opiniões, as discussões, os estados de facebook que rapidamente se tornam em fóruns abertos de discussão e de ataques mútuos por vezes desprovidos de sentido. Esquecem-se facilmente do que estamos a falar realmente, duma tragédia que aconteceu supostamente (sem certezas ainda) tendo por base uma tradição, a Praxe. Morreram 6 pessoas, 6 jovens que tinham orgulho em envergar um traje e participavam deliberadamente nesta tradição, com ou sem consciência das consequências a que estavam sujeitos, mas penso que neste momento não será isso o mais importante. Mas não esqueçamos do que realmente se trata, duma tragédia.

A revolta contra os ataques que são feitos aos praxistas é mais aliciante em algumas situações do que repensarmos no que aconteceu, no que acontece de Norte a Sul do país onde alguns sujeitos chamados praxistas (realço o chamados, porque serão de facto aquilo que se denominam?) fazem, não por uma tradição mas por falta de personalidade, carácter, consciência, princípios e valores. E por mais que a Praxe, vá transmitindo alguns valores e consolidando outros, não dá a quem não quer receber nem pode transformar pessoas e torna-las como por milagre "boazinhas" e seres socialmente e humanamente exemplares, mas também ninguém espera isto da Praxe, porque a Praxe não é utópica e no fundo é isto que a dota de realismo. Aliás, acho que a Praxe tem o poder de revelar o melhor e o pior de cada um, ao longo do tempo, e há aqueles que encontram um equilíbrio ou pelo menos procuram-no e outros que tendem ao extremismo. Mas não é isso que acontece, naturalmente, com todos os seres humanos que vivem em sociedade, tendo em conta que somos todos diferentes?

A Praxe é feita por pessoas para pessoas. Estas, são dotadas de consciência, livre-arbítrio, educação e uma personalidade. Posto isto, a Praxe, tem coisas boas, coisas más, bons momentos ou maus, pessoas que se dão fantásticamente, pessoas que não se podem ver por diversos motivos ou não se gostam muito (posições diferentes baseadas em opiniões bem fundamentadas ou lutas irracionais de poder) e pessoas que não se dão bem nem mal, mas sim cordialmente. Mas, penso que é assim em qualquer contexto em que uma pessoa se insira. A Praxe não é perfeita porque sendo feita por pessoas, e sendo estas naturalmente imperfeitas, não podia ser algo perfeito e que agradasse a todos. Portanto, não é assim tão surpreendente que erros aconteçam, que limites do bom-senso sejam ultrapassados, porque o são em muitos outros contextos e instituições. Pelo menos, para mim. Pessoas comentem erros trágicos, pessoas cedem a pressões estúpidas, pessoas são seres racionais que me conseguem surpreender quando são irracionais ao ponto de colocarem a vida em risco. Porquê? Porquê que cedem àquilo que à partida tem consequências graves e contraria o bom-senso e os limites? Não digam que é por pressão, que as pessoas são humilhadas se não o fizerem, que são postas de parte, porque isso não é motivo suficientemente válido e justifico isto dizendo que em toda a nossa vida seremos postos de parte em algum momento porque não vamos concordar com algo, porque não vamos alinhar no jantar de Natal do grupo de amigos ou porque preferes nas férias ir para o campo e não para a praia. E, não é por isso que temos que contrariar o que queremos fazer, podemos tentar convencer os outros e perante argumentos válidos e uma avaliação nossa de se vale a pena ou não mudar de opinião tomamos uma decisão, ou seja, através de conversas, opiniões e discussões saudáveis as pessoas transmitem ideias, apreendem outras e consequentemente tomam posições. Isto idealmente, mas depois há os outros que humilham, violam regras, insultam para conseguir o que querem. Mas isto é apenas em Praxe? Sei que não. E a mim foi-me dito em Praxe algumas vezes que os maus exemplos são eles também válidos, nem que seja para decidirmos (atentem no decidirMOS) o que não queremos ser.

 As pessoas que entram na Universidade estão a passos largos de fazerem 18 anos, a idade reconhecida pela nossa Constituição como sendo a idade a partir da qual os indivíduos são maior de idade e podem fazer uma série de coisas que exige maturidade, como exercer o seu direito/dever cívico de votar. Então, considerando este facto, são estes os indivíduos que por falta de consciência cedem a uma pressão, aceitam cegamente ordens só porque sim, acatam ordens porque um superior mandou, vão votar e decidir o rumo politico e económico do nosso País. Acho isto um bocado incoerente. Então estes são os mesmos jovens que vão ceder a uma propaganda politica em vez de outra porque fazem mais "pressão", e não aquela que até tem os princípios orientadores que mais estão de acordo com os do próprio. Sobre isto, tenho a dizer aquilo que um dia aquela a quem chamo Madrinha de Praxe me disse :"não confundas humildade com passividade"! E isto, preocupa-me, preocupa-me que os jovens, a geração à qual pertenço esqueçam o que os move, o que lhes é transmitido e ensinado, que se deixem submergir a ideologias e tradições sem espírito critico e sem definir prioridades. Não devia ser a vida uma prioridade? Antes de praxistas ou estudantes somos realmente pessoas!

Sim, ensinaram-me a confiar naqueles que me praxam (não cegamente, mas criticamente), ensinaram-me a confiar naqueles que estão ao meu lado, mas ensinaram-me a confiar em mim e naquilo que defendo. Há actividades de praxe onde se podem usar vendas, mas a mim e àqueles que orgulhosamente digo que me rodeiam, nunca vendaram os olhos, os olhos da consciência e do espírito critico!!

Aconteceu uma tragédia, acontecem todos os dias. Não desvalorizando, mas sim lamentando a morte destes que seriam meus colegas estudantes. Acho que está na altura de parar de criticar só porque sim seja o que for, mas pensar nas questões que se colocam e nas dúvidas que surgem para evoluir, seja em Praxe, seja como seres humanos dotados de consciência e espírito critico.

Lamento que seja preciso uma tragédia para se repensar numa tradição, nos princípios que estão na sua origem e de relembrar como há pessoas que em nome dela alimentem egos e valores e práticas desumanas.


Não se levam apenas ensinamentos, mais do que tudo... levam-se pessoas!
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quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

A aventura que iniciaste

A esta hora estás a pisar uma espaço novo, um país que não é o teu. Hoje, começaste uma nova aventura realmente, caminhas num novo caminho que te tornará mais forte... à força. Disse que hoje começaste realmente, porque a verdade é que já começou há algum tempo, quando soubeste que ias, de facto, partir para longe. Longe de onde cresceste, dos teus amigos, da tua família, do teu namorado, da tua casa, da tua terrinha onde não chega a net decentemente.

Sabes? estou a escrever e quero dizer tanto, o quanto gosto de ti ou o quanto estou revoltada com o facto de não teres as oportunidades que merecias.
Bem, acho que só senti que ias para a terra de nossa majestade, quando na terça me despedi de ti, quando te dei um tímido abraço porque ambas não queríamos que aquilo parecesse o que era verdadeiramente - uma despedida. Tinha saudades tuas antes de ires, sabes? Sabes sim! Mandei-te mais mensagens do que no resto do ano quase. Não sei porquê, para ter a certeza que te mostraria que estaria sempre aqui, para te dar força ou para... sim, para te mostrar o quanto gosto de ti.

A puta da vida é injusta e eu estou mais revoltada do que nunca com esta treta do desemprego que a toda hora nos aparece à frente (olha vais deixar de ouvir nas noticias isto - boaaa). Vivi contigo durante dois anos. Dois anos que vi o teu esforço, o teu cansaço, a tua dedicação verdadeira e a tua paixão por esta profissão que foi crescendo. Assisti como estudavas quando chegavas do estágio cansada, vi como te esforçavas para estares com a tua família e ias para a terrinha nem que fosse por algumas horas, nem que fosse dormir apenas em casa, e no dia seguinte às 6 da manhã lá vinhas tu para tratares dos doentes que dizias "teus". Falavas com entusiasmos de algumas coisas, com pena de outras e com revolta de outras. Sem esquecer a parte cómica com que contavas algumas situações caricatas. Isto, só demonstra que nada te era indiferente, que apesar do teu lado profissional tinhas outro lado que prevalecia e que eu acho essencial a um enfermeiro - o lado humano. E é esta entrega e esforço que fizeste durante 4 anos, pelo curso e pela tua família. O que recebeste em troca? Uma viagem, com um contrato permanente num país onde se fala outra língua, e que dão valor ao que cá se faz. Uma merda!! Merecias mais, merecias ter valor, aqui!! Onde pertences. Devia ser uma escolha emigrares e não uma obrigação camuflada. Mas não adianta eu estar com este discurso, não vai mudar nada e a ti não te vai dar força. E quero que tenhas sempre força e vontade de lutar.

Sempre admirei a tua força, a tua determinação e o teu perfeccionismo. Sempre deste o teu melhor, invejava-te porque sou extremamente desorganizada e só me empenho quando não tenho outra opção. Mas tu não!! Por isso, digo e disse-te sempre que estou muito orgulhosa de ti! Admiro a tua coragem, a tua força. podias ter esperado mais algum tempo, afinal acabaste o curso em Julho. Mas não, o teu jeito de ser, a tua força, a tua vontade de não estares parada levou-te para aí, para onde estás agora. E repito: AGORA!

Escrevi que eras para mim a definição de amizade, não menti, não foi para ser bonito. Apenas me lembrei da nossa história juntas, do que penso sobre ti, do que vivemos juntas, que importância dou ao que me dizes. E acredita em mim, és a única a quem dou realmente ouvidos duma forma que não dou a mais ninguém. Sou teimosa, e por vezes o meu orgulho não permite aceitar algumas coisas, mas a ti eu dou ouvidos, tenho humildade e respeito. Achava que aquilo da melhor amiga era um titulo bonitinho e até fica engraçado dizer que temos uma melhor amiga como se tivesse 12 anos e não 22, mas não. É aquilo que és para mim e se tem mantido independentemente da distância, dos caminhos diferentes, das diminutas mensagens. Ouço os teus conselhos com respeito e os teus sermões atentamente, porque me conheces. Posso dizer que me conheces, o que tenho de bom e o raio do meu mau feitio explosivo. E o bom disso é que mesmo assim continuaste sempre do meu lado, apoiaste-me à tua maneira explicando sempre que te preocupavas e por isso às vezes podias parecer fria. E a nossa histórias... desde os recados para o L. no 7º ano, as cenas na webcam nas férias, as viagens de autocarro e o caminho para casa no secundário e as mensagens, as viagens de comboio na universidade e os dois anos que vivemos juntas com o milka(começou no básico), as idas ao bananinhas ou combinar o que íamos jantar. Acho que tenho saudades de quando me mandavas embora da cozinha e me mandavas calar quando querias dormir. Lembro-me de quando riamos no quarto e cochichávamos, de quando fazias o teu riso maquiavélico ou as nossas danças estúpidas com músicas de baixa qualidade musical... Poderia continuar. E, todos estes anos, mais longe ao mais perto foste-te mantendo sempre perto, sempre a par da minha vida. Sempre. Nunca, nunca me vou esquecer do que acompanhaste numa determinada altura da minha vida, do teu apoio incondicional. Acho que não era um esforço que fazíamos, mas algo natural. Fazes parte da minha vida e quer queiras ou não... eu faço da tua! Se isto não é a definição verdadeira de amizade, então não sei o que é. Se isto não é seres a minha melhor amiga, então nunca tive uma porque foste a única a quem chamei assim (com a mínima maturidade) e que se mantém desde há anos. E digo já, vou me esforçar para continuar a fazer parte da tua vida. De mim não te livras!

Agora vamos pensar positivo, vais exercer a tua profissão aquela para a qual trabalhaste e estudaste. Vais conhecer uma nova cultura, melhorar a fluência no inglês, aprofundar os conhecimentos do skype e vais crescer enquanto pessoa e profissional. E... (sim há mais coisas positivas) HÁ VIAGEM LOW COST! Yupiii!!!

Quero que te mantenhas firme, que lutes sempre e que nunca te esqueças duma coisa - longe mas sempre perto! Orgulho-me imenso de ti. E quero para ti as maiores felicidades e um sorriso sempre (que for possível) no rosto. E no que depender de mim, estarei aqui para te fazer lacrimejar com as minhas paneleirices e fazer sorrir com as minhas palermices.

Não sei, acho que ainda tenho tanto para dizer. Não queria parar de escrever. Como sabes, não sou tão directa como tu, sempre disseste que eu escrevo muito e dou a volta. mas há coisas que não dá para dar a volta... Gosto imenso de ti e vais fazer-me falta!

Da sempre tua:
Chocolata!