quinta-feira, 3 de abril de 2014

Elas estão doidas!

Tenho umas amigas da faculdade que são... nem sei descrever. Não arranjo as palavras certas. São especiais, únicas e portadoras de uma loucura saudável! Fazem dos meus dias na faculdade e na cidade que me acolhe nesta (fantabulástica) fase da minha vida mais preenchidos, mais alegres e cheios de vida. Com elas fico com o baú das recordações cheio, sem dúvida. Cheio de momentos recheados de risos; gargalhadas; por vezes choro, risos; discussões, risos, gargalhadas, parvoíces ou momentos sérios e mais risos e gargalhadas. Tudo vale a pena com elas. Aliás, fazem tudo valer a pena.
Mas quando estamos juntas, por vezes, parece que a sanidade mental de cada uma fica diminuída. O que é bom. Parece que não há aquela espécie de "filtro" que nos faz reter algumas coisas e não as dizer depois de pensar.
Adoro-nos quando estamos juntas! Adoro-nos porque somos nós e por sermos assim... doidas e felizes juntas!

A força e o para sempre

Talvez o que eu vá escrever nunca seja lido por ti. Quem me dera que fosse... Talvez nunca sejas capaz de ler e soletrar o alfabeto, mas que se lixe minha pequenina, tu lês tantas outras coisas e lê com os olhos do coração e da forma mais genuína e que ninguém consegue ler. Há coisas que perdem importância quando estamos perto de ti, aliás, quase tudo, porque tu absorves de nós toda a atenção, todos os sentidos e todas as nossas emoções, incluis-te nos nossos sonhos simplesmente e permaneces porque sem ti já não faz sentido. Cativas com o teu sorriso e ficamos absorvidos de maneira tal que é impossível ficarmos em baixo, pensar em coisas más. O teu sorriso, a tua energia dá-nos força e faz-nos acreditar que tudo é possível, que hoje o céu está escuro e sem estrelas, mas amanhã ele voltará a ficar estrelado.

Sabes que já és um bocadinho minha desde que foste gerada na barriga da tua mamã. Foste-te tornando cada vez mais minha, talvez não pelos melhores motivos. Talvez não, de certeza que não foram os melhores motivos, foi uma doença estúpida que decidiu aparecer e nem dizer o nome que nos aproximou e me fez estar mais presente. Ninguém sabia o que tinhas, entre convulsões, atraso no desenvolvimento da linguagem e descoordenação e desequilíbrio motor os prognósticos era vastos; falava-se em síndromes em que poderias morrer precocemente, doenças com nomes estranhos. Até hoje, depois de inúmeros diagnósticos, médicos e exames... ninguém avisou que poderias estar assim agora, a perder os teus movimentos e a tua boa disposição depois de tanto ultrapassares. Mas o teu sorriso... o teu sorriso ninguém to rouba princesa, consegues trazê-lo no teu olhar azul mar!! O diagnóstico de ataxia cerebelosa combinado com miopia mitocondrial... é assustador! Mas tu conseguiste vencer tudo, sempre cheia de genica... qual descoordenação qual quê? De terapia em terapia tu venceste todas as etapas. Começaste a andar, a comer sozinha, fizeste o desfralde rapidamente, estavas no caminho certo... mas sempre som um sorriso. Irritas-te quando não consegues e ficas agitada, mas tentas, tentas sempre. De sorriso na cara e com persistência tu conseguiste tudo! Não consegues falar como os livros do desenvolvimento e os especialistas do mesmo dizem que devias falar, mas sabes? isso é tudo uma grande treta! Falas como lês... COM O CORAÇÃO. E isso não se avalia com escalas de inteligência, com baterias de testes, observações direccionadas para avaliar a forma como te expressas ou ressonâncias. Só alguns conseguem ouvir-te e entender a tua linguagem, aqueles que tu queres que te oiçam. És uma menina esperta, sabes o que queres, quem queres perto, a quem mostras o teu sorriso... que música queres ouvir, que brinquedo queres, sabes dizer que não e sabes abraçar e dar beijinhos sem te pedirem, sabes desafiar, contrariar porque sim, fazer beicinho para chantagem emocional. E isto é a aquilo que ninguém te tira, nem doenças, nem médicos de todas as especialidades... a tua força, o teu jeito energicamente meigo de ser! Porque isso é para sempre!

Contigo aprendi a ler(te) com o coração...