segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Perdida em exageros... aprende-se a encontrar o equílibrio

As certezas dissipam-se com a passagem do tempo. As certezas são uma valente merda. As frases bonitas também. Aquelas carregadas de certezas. Algumas frases feitas também são uma porcaria. Mas há uma que eu gosto especialmente: "a vida é uma constante aprendizagem". Oh se é... E porquê? Porque metem a merda das certezas onde elas deviam estar - no lixo! Mas ainda bem que há todo este processo de ter certezas, vivermos segundo elas e depois perceber que são uma valente merda... e por fim enterra-las, deitá-las ao lixo ou fazer compostagem com elas.

As certezas tornam as pessoas arrogantes de merda. As certezas do momento fazem-nos pensar que somos donos daquela razão (certeza). E depois vem a vida e mostra-te da pior forma, tirando-te pedaços da tua felicidade, arrancando-te o coração sem piedade, roubando-te lágrimas cruelmente. Uma e outra e outra vez. Pois, tinha que ser. Não se aprende com uma chamada de atenção... há todo um reforço continuo de uma aprendizagem. Sejam eles sorrisos ou lágrimas. São o leque de reforços que a vida nos oferece, sem nos oferecer poder de escolha... é como ela quer, quando menos esperamos.

Baseamos muitas vezes as nossas certezas em frases bonitas... aquelas que até há pelas redes sociais com imagens bonitinhas a servir de fundo que levam à reflexão e profundidade dos nossos pensamentos, conforme nos dá mais jeito na altura. As mais populares :" não trates como prioridade quem te trata como opção", " quem não sabe cuidar, não merece ter", "a confiança é como um papel... uma vez amassada jamais volta a ser como era". E podia continuar. Mas depois percebo que isto não passa duma grande treta!! Mas isto realmente faz pensar e às vezes vem reforçar aquilo que queremos ouvir no momento. Num momento mau disseram-me que tinha de me valorizar, investir em projectos individuais, que a minha felicidade dependia de mim. É realmente verdade... mas, apesar de eu saber sempre que preciso de quem eu gosto para ser feliz, fiquei cheia de mim própria, cheia de seguranças. Santa estupidez. Estúpida arrogância.

E, assim, deixamos de ser nos próprios para sermos as certezas que os outros querem que tenhamos, que a sociedade impõe - que sejamos seguros, independentes e individualistas. E isto se não aprendermos ao bater com a cabeça, confunde-se facilmente com arrogância, egocentrismo e egoísmo. afinal tanta arrogância, ao dizermos que não precisamos desta ou daquela pessoa para parecermos fortes... e nem nós próprios somos. SÓ E APENAS para parecermos fortes e independentes. No entanto, não... não é isso que passamos a ser. Passamos a ser um saco onde se tem depositado as certezas de merda, a independência desnecessária (não precisamos sempre de quem amamos incondicionalmente afinal?) a auto-confiança exacerbada e a humildade esquecida.

Amor próprio, é bonito. Mas amar e mostrar que amamos é ainda mais bonito. Mostrar que precisamos de alguém na nossa vida não é fraqueza... pode ser amor, pode ser humildade. E isto... aprende-se. Tal como o amor próprio. E eu... aprendi que aquilo que me ensinou (e ainda bem) a acreditar que a minha felicidade dependia de mim, não me ensinou que isso não tinha que fazer de mim alguém que para parecer forte mostra não precisar de ninguém... Mas entretanto aprendi! Aprendi que a minha felicidade depende de mim sim, de mim como eu sou realmente. Forte e fraca, determinada mas dependente saudavelmente de quem amo.