segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Do cansaço

Enquanto cresces, sonhas. Quando chegas à vida à adulta, não parando de crescer nem de sonhar, esperas a concretização dos teus sonhos. E eles tardam em chegar. Tudo se desmorona, tudo parece tão sem rumo, que o que escrevo prece um diário de uma adolescente.
As fases das perguntas, das dores de alma, fazem-me sentir pequenina e negra por dentro, sombria, fria. Crescer é bom, amadurecer mostra-te por onde queres ir, mas nem sempre consegues ir. Mostra-te quem queres por perto, E quem é dispensável ou já o foi, mas agora gostarias que não fosse. As vontades mudam, as perguntas também, as prioridades são completamente diferentes. Ainda bem.
Mas cansa, seres tão cheia de sonhos, tão cheia de vontades e certezas e nada se concretizar.
Cansa seres tão tu, tão decidida e determinada, e nada ser valorizado. Cansa dares de ti aos outros, e não veres reconhecido o teu valor. Cansa sonhar! Cansa pensar que desistir de alguns dos sonhos, é um caminho. Ficar presa nos sonhos... não é nada maduro. Mas nisso, eu nunca quis crescer!

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Um enorme e sentido Fo**-**

Às vezes gostaria que o tempo parasse. outras que avançasse desmedidamente.
E saltando entre pensamentos aleatórios vou seguindo. Sem saber para onde e isso dói, dói porque tenho mente inquieta e desejo de seguir em frente, contudo sabendo para onde, seja um caminho mais rápido ou mais lento, mais ou menos doloroso, preciso de determinadas certezas.
Quero saber para onde vou!! Sei pelo menos com quem contar. Mas quero saber que magoas me esperam e por que conquistas vou ter de lutar. Pelo menos algumas.
A vida mudou, mas estagnou. E não está como eu quero. É como se uma ampulheta caísse, e na horizontal não deixasse cair o resto da areia, o tempo deixou de contar. O tempo sobra. E o que resta são pensamentos aleatórios. Escrita sem sentido. Desabafos abafados. Tempo que não passa e uma ampulheta parada. Gostava que o tempo parasse. Só não parou onde eu queria. Podia ter parado lá trás...

O "Se" que foi meu, que ainda existe em mim

O "Se" é de estatura robusta, faces meigas e ao mesmo tempo desconfiadas. Assim são todos os "ses"... desconfiamos sempre no que seria "se...", e ao mesmo tempo que nos parece uma possibilidade meiga, pode se tornar mais amarga. O que mais gosto no meu Se são as mãos, sempre foram, sei descreve-las tão bem. São imensamente brancas, mas um branco friamente bonito. Assim como o Se -friamente meigo. Tudo se encaixa numa harmoniosa antítese.
Os "ses" passam na nossa vida muitas vezes, e acontece exactamente isso... passam, não permanecem. Mas e quando os "ses" em moldes diferentes decidem em momentos vários confrontar-nos com questões, possibilidades e sentimentos. Fodam-se os sentimentos, quero ficar racional! E aí vem outra vez a memória da descrição perfeita do Se a meu respeito - dor de pensar e Rainha da loucura! Nunca alguém me descreveu tão bem em poucas palavras.
Todos os "ses" que passam na minha vida eu resolvo com "deixa para lá, o que tiver de ser será", Mas, confrontada com o meu Se, todos os outros "ses" são interrogações retóricas, as quais não ocupam o meu tempo. Este, por sua vez, mexe onde não queria que mexesse, toca com aquelas mãos perfeitas de guitarrista onde não devia tocar: no baú das memórias, no poço dos sentimentos. Aquela ínfima possibilidade de viver o "e se", fez-me feliz. Mas eu não sabia. Isso irrita-me. Não saber, não ter tido a noção, e cair na injustiça de desvalorizar. Talvez por não saber com que sentimentos lidava e quais os que daí chegariam se... Mas sabia com que sentimentos já tinha lidado e não queria voltar a isso, a dar e não receber.
Não sei se o presente ser uma verdadeira merda influencia a forma como vejo o passado, como se fosse um caminho que me teria levado para outro lugar que não este. Ainda que acredite que as coisas, a vida, as pessoas que ficam e as que vão.. tudo é porque assim tem de ser. E o que tenho é importante, se não tivesse não pensaria como penso nem seria o que sou. Mas o Se, não deixou de existir e se calhar nunca o cheguei a ter...

(texto com algum tempo de exixtência)

domingo, 3 de janeiro de 2016

2015

Em 2015...
Nasceu o meu sobrinho. Passei a primeira noite no hospital com ele. Voltei à minha cidade natal e deixei a de estudante. Comecei  meu estágio curricular. Aprendi imenso com ele. Desejei que não terminasse. Tentei decorar a paisagem que via do 4º andar do hospital a cada gole de café. Superei-me enquanto futura psicóloga. Tive o meu primeiro 18 na faculdade, no estágio. Tive prazer em me levantar cedo e ter consultas para dar ou observar. Fui feliz num hospital. Não me quis despedir dele. Senti-me grata. Orgulhei os meus pais. Acompanhei familiares ao hospital, e por isso também lá fui infeliz. Queimei as fitas. Usei uma cartola e bengala. Fui extremamente feliz no cortejo. Parti o tacão do sapato do traje ao fim de 5 anos, no último dia em que o usaria. Ri muito. Tive saudades da minha cidade de estudante e voltei sempre que possível. Terminei o curso. Recebi amigas em casa e diverti-me cm isso. Chateei-me com amigas de infância e senti-me injustiçada. Fiz as pazes. Recebi presentes inesperados. de forma inesperada - um na porta e outro debaixo do bolo de aniversário. Andei de avião pela primeira vez. Fiz férias a dois, duas vezes. Comi imenso queijo. Tentei captar com todos os sentidos os Açores. Provei a tripa de ovos moles de Aveiro. Apanhei uma bebedeira e dancei desalmadamente. Pedi a uma amiga que não fosse embora. Fiz declarações sem fim de amizade e de amor. Sai mais à noite. Apaixonei-me. Reaproximei-me de amizades mais distantes. Fiz novos amigos. Trabalhei mais. Comprei um computador com o meu dinheiro. Desiludi-me com a tese. Desiludi-me com professores. Cumpri prazos. Fiz tudo na última. Não me esforcei. Esforcei-me. Emocionei-me com os meus agradecimentos. Senti-me triste pela ausência do meu irmão. Fiquei feliz pela presença de todos os outros. Tive um almoço de finalista. Estive no hospital a soro pela primeira vez. Recebi a primeira carta endereçada a mim começada por Dra. e foi estranho, mas soube bem o perceber que tinha terminado. Comecei a fazer unhas de verniz gel. Perdi um anel com significado. Chorei imenso por isso. Percebi que algo que nos é dado com sacrifício e por alguém tão importante ganha uma importância assustadora. Chorei pelos atentados de Paris, pelo medo de alguém importante ficar impedido de estar num momento igualmente importante. Pedi desculpa. Tive a noticia que teria outro sobrinho. Evolvi-me num projeto no hospital, com uma população que desde o inicio do curso não gostava de estudar. Fui surpreendida e passei a gostar. Comecei a praticar exercício. Odiei cada despedida. Comi tudo o que gosto. Perdi a conta às francesinhas que comi. Namorei muito. Chateei-me muito. Duvidei. Apaixonei-me todos os dias. Escolhi-o todos os dias. Senti inveja. Senti ciume. Senti-me incompreendida. Escrevi menos do que gostaria. Vi que tenho uma família que me motiva e é a minha inspiração. Vi o meu sobrinho imitar-me em coisas parvas. E fui feliz com isso. Desiludi-me. Surpreendi-me. Senti-me inútil. Odiei ser desempregada. Chorei de saudades por alguém que não o sabe. Fui ao cinema menos do que gostaria. Fingi não ver alguém. Não me arrependi. Cozinhei muito bem. Conheci-me. reencontrei-me. Percebi que sou alguém que aprecia detalhes. E sou alguém de pessoas, das minhas pessoas. Amei-as em todos os momentos!
Fui feliz!