sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Minha Invicta

Hoje, dia 10 de Fevereiro de 2017 recebes o prémio de melhor destino europeu.
E, hoje, especialmente hoje, tive saudades tuas. Sinto vontade de te escrever como se de um pessoa te tratasses. Não o és, mas não acredito que sejas uma simples cidade.É demasiado redutor.
Quando no longínquo ano de 2009, saíram os resultados para a entrada na faculdade, calhou-me a sorte (não reconhecida) a minha primeira opção, e essa tinha sido numa faculdade do Porto. Escolhi-te, sem noção das consequências, escolhi-te por amor àquela que seria a minha profissão, escolhi-te por amor à minha cidade, escolhi-te por amor à minha família (eras a cidade mais perto da minha com o curso que eu queria). Só podia ser um bom presságio, escolher-te com base no amor! Escolhi-te, mas não te aceitei. Descrevia-te como cinzenta e escura, para mim eras um mistério. O que eu adoro mistérios e desvenda-los, só que não sabia. Porque no Porto, entre a tua escuridão, redescobri a minha cor entre cinzentos e vermelhos, descobri-me.

Vou-te contar os primeiros tempos em que me acolheste. Na procura de casa para ficar, recusei-me a viver em ti e a descobrir-te. Decidi que faria viagens diariamente de comboio, da minha terra natal para a faculdade. Abominei-te e que injusta estava a ser. Nem te dei a oportunidade de te mostrares... mas eu sou assim, impulsiva e por vezes injusta porque sigo demasiado as minhas convicções e aquilo que me é seguro. Sou estupidamente resistente a mudanças. Isto também descobri quando vivia em ti, contigo. Sim, vivi contigo e fui tão feliz. Depois de 2 anos nesse vai e vem, descobri que deveria dar-te a oportunidade, deveria dar a a oportunidade a mim de viver aquilo que me estava a impedir. E aí começou a nossa história feliz...

Em ti vivi as melhores tardes, tive as melhores conversas. Na Ribeira fui eu, sem convicções, ri e chorei genuinamente. Os clérigos serão sempre memoráveis e terei sempre a tendência de querer desce-los a correr. No Douro... as conversas, as memórias e ouvi as palavras mais bonitas duma das pessoas mais bonitas da minha vida " lembro-me de muitos momentos felizes aqui no Porto e tu estás em todos". Perdi-me no Porto. Amei e sofri no Porto. Vivi uma história de amor. Vivi outra de paixão, ou sabe-se lá quase amor, de certeza aventura. Tive medo no Porto. Tive medo de andar sozinha de noite nas ruas do Porto. Andei por ruelas a primeira vez e apaixonava-me por cada fachada. Cantei o Porto Sentido a subir a Rua do  Mouzinho, em coro com as minhas pessoas. Cantei tantas outras coisas sem sentido nenhum por imensas ruas. Fiquei de coração dividido, ansiava o regresso ora à minha cidade natal, ora à cidade do coração - tu! Diverti-me tanto em ti, mais do que noutra cidade qualquer. Senti-me livre. Fui, pela primeira e única vez chamada a atenção pelos vizinhos devido ao barulho na madrugada. O Covelo será sempre sinónimo de tardes adocicadas com gelados e conversas e faltas às aulas. Cada queima das fitas, cada serenata foram mais que tradição, significam pessoas, lágrimas e sorrisos, abraços verdadeiros. O traje que vesti, as capas que tracei, a capa que me traçaram, a capa que batizamos (eu e as minhas pessoas)... sempre como pano de fundo o Porto. Sempre! As fotos no Natal nos Aliados, tornaram-se tradição. O Piolho, a Cordoaria, a Fonte dos Leões e a das Laranjeiras... não sei descrever. Conhecer pessoas que trouxe comigo para a vida, partilhar casa e abdicar do meu espaço, e ser feliz a partilha-lo. Os passeios pela rua Santa Catarina,  o adorar o frenesim das pessoas a andar de um lado para o outro, o cheiro a castanhas assadas e a música dos pedintes. Sem dúvida que em ti fui sempre eu, e tornei-me menos resistente a mudanças, mas sempre complicada. Vivi-te mais tarde do que merecíamos, mas vivi-te o melhor que consegui. Sim, existiram momentos maus, passei em ti a pior fase da minha vida, mas ofereceste-me o melhor de ti e o melhor de mim.

Representas descoberta, amor, vida, escuridão (quem disse que isto era mau?), nostalgia, mudança, saudade, aventura e pessoas. Não quis vir embora e hoje tento todos os dias voltar a ti. Voltar não é o termo certo, porque nunca te deixei!
Espero que seja um até já

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Eu sei lá

Queria tirar o meu passado de mim. Colocar-me em algum lugar que não este. E sim, sei a sorte que tenho em estar aqui e ter família e blá blá blá. Dizia eu que queria tirar, arrancar o meu passado de mim. Da memória e apagar sentimentos. Não acredito no destino, acredito que desenhamos, bordamos, delineamos, tecemos (o raio da arte que tiverem mais jeito) o nosso caminho. Mas, eu sou desastrada, desorientada, descoordenada e distraída (bastante!!) que nunca tive jeitinho nenhum para estas coisas minuciosas. Uma trapalhona, portanto! Não estou a exagerar... um dia um professor de educação visual perguntou-me se eu via mal, se sabia de algum problema nos olhinhos da minha pessoa porque eu não acertava uma medida NUNCA, uma esquadria falhava quase sempre, para não falar do meu dom e jeito para trabalhos manuais e essas coisas. Dos meus irmão mais velhos sempre recebi elogios como - "não tens jeitinho para nada" ou " és mesmo descoordenada, tens umas mãos que parecem uns pés", uns queridofofocoisos! Ora bem, isto deve-se repercutir no que se trata de dar forma a este meu caminho. É, que de repente sem dar por isso, os bicos dos lápis partiram-se, as linhas desfiaram e as agulhas perdi-as, é que não há muito para delinear e nem consigo encontrar o rumo disto. Disto. Disto que é a vida! Não quero saber do "às vezes é bom parar para pensar no caminho", "tudo tem uma razão". Mas ora foda-se... que razão? Eu não quero aprender muito mais sobre a vida do que já sei. Não agora. Estava bom como era! E, eu não quero parar. Queria seguir, em passos descoordenados e a tropeçar, mas parada não!
Sinto o caminho como a mim mesma, escura, negra e vazia. Não vejo um palmo à frente, uma luzinha de presença se quer! E, no caminho, ainda digo parvoíces a pessoas erradas (???) que para além de pensarem que sou tudo o que já disse, acrescentam à panóplia de qualidades - louca!! tudo a correr bem (para ti pessoa, a mágoa e o cansaço levam-te a dizer o que não pensas, por isso não, não teria feito nada diferente em relação a ti. grata).
Sinto, sem querer, que estou à deriva, num mar de mágoas parado, calmo, mórbido (tão profunda que estou, uma poeta), mas no fundo agitado. Estou frouxamente agitada, se isso existir eu sou o sinónimo vivo e a cores. É isso, frouxamente agitada. A escrever encontrei a minha definição... Sinto-me perdida e parada, mas em ânsias de andar de chegar a onde e a quem quero. Negra por dentro, como se quisesse não sentir e arrancar tudo, mas um vermelho fogo nos sonhos. Não sei, dizem que é do signo... a intensidade e os extremos. Já agora se conseguisse arrancar o passado, poderia também escolher outra data para nascer, talvez isso me levasse para outro lugar! Poderia na loucura não ser frouxamente agitada e ser vigorasamente estável.