terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Eu sei lá

Queria tirar o meu passado de mim. Colocar-me em algum lugar que não este. E sim, sei a sorte que tenho em estar aqui e ter família e blá blá blá. Dizia eu que queria tirar, arrancar o meu passado de mim. Da memória e apagar sentimentos. Não acredito no destino, acredito que desenhamos, bordamos, delineamos, tecemos (o raio da arte que tiverem mais jeito) o nosso caminho. Mas, eu sou desastrada, desorientada, descoordenada e distraída (bastante!!) que nunca tive jeitinho nenhum para estas coisas minuciosas. Uma trapalhona, portanto! Não estou a exagerar... um dia um professor de educação visual perguntou-me se eu via mal, se sabia de algum problema nos olhinhos da minha pessoa porque eu não acertava uma medida NUNCA, uma esquadria falhava quase sempre, para não falar do meu dom e jeito para trabalhos manuais e essas coisas. Dos meus irmão mais velhos sempre recebi elogios como - "não tens jeitinho para nada" ou " és mesmo descoordenada, tens umas mãos que parecem uns pés", uns queridofofocoisos! Ora bem, isto deve-se repercutir no que se trata de dar forma a este meu caminho. É, que de repente sem dar por isso, os bicos dos lápis partiram-se, as linhas desfiaram e as agulhas perdi-as, é que não há muito para delinear e nem consigo encontrar o rumo disto. Disto. Disto que é a vida! Não quero saber do "às vezes é bom parar para pensar no caminho", "tudo tem uma razão". Mas ora foda-se... que razão? Eu não quero aprender muito mais sobre a vida do que já sei. Não agora. Estava bom como era! E, eu não quero parar. Queria seguir, em passos descoordenados e a tropeçar, mas parada não!
Sinto o caminho como a mim mesma, escura, negra e vazia. Não vejo um palmo à frente, uma luzinha de presença se quer! E, no caminho, ainda digo parvoíces a pessoas erradas (???) que para além de pensarem que sou tudo o que já disse, acrescentam à panóplia de qualidades - louca!! tudo a correr bem (para ti pessoa, a mágoa e o cansaço levam-te a dizer o que não pensas, por isso não, não teria feito nada diferente em relação a ti. grata).
Sinto, sem querer, que estou à deriva, num mar de mágoas parado, calmo, mórbido (tão profunda que estou, uma poeta), mas no fundo agitado. Estou frouxamente agitada, se isso existir eu sou o sinónimo vivo e a cores. É isso, frouxamente agitada. A escrever encontrei a minha definição... Sinto-me perdida e parada, mas em ânsias de andar de chegar a onde e a quem quero. Negra por dentro, como se quisesse não sentir e arrancar tudo, mas um vermelho fogo nos sonhos. Não sei, dizem que é do signo... a intensidade e os extremos. Já agora se conseguisse arrancar o passado, poderia também escolher outra data para nascer, talvez isso me levasse para outro lugar! Poderia na loucura não ser frouxamente agitada e ser vigorasamente estável.

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